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05/09/2019 | Companhias abrem espaço para quem se afastou do mercado - Valor Econômico

Este mês, começam a trabalhar na PepsiCo cinco profissionais contratados por meio do programa Ready to Return. Foram mais de 3 mil inscritos para cinco vagas em áreas como recursos humanos, vendas, finanças e operações. A iniciativa, implementada em 2018, tem como objetivo dar oportunidade de reinserção no mercado de trabalho a profissionais experientes que, por algum motivo, deram uma pausa em suas carreiras. “Entendemos que esse processo de retorno pode ser um enorme desafio e, ao mesmo tempo, existem muitos profissionais querendo voltar. Queremos atrair pessoas com diferentes experiências e perfis diversos, que possam trazer à companhia novos olhares sobre os desafios atuais do mercado, contribuir com energia renovada e crescer nos papéis de liderança”, afirma Maurício Pordomingo, vice-presidente de RH da PepsiCo. Na primeira edição do Ready to Return, três pessoas foram contratadas pela multinacional. Engenheira formada pela Universidade de São Paulo (USP), Claudia Rossi foi uma delas. A executiva conta que começou sua carreira como trainee na PwC e, na consultoria, foi crescendo até se tornar gerente de projetos. Depois passou cerca de 12 anos na IBM, sempre ocupando cargos de liderança. Em 2015, uma reestruturação na área em que ela trabalhava a fez repensar o rumo que sua carreira estava tomando. “Eu iria para uma função que não me parecia desafiadora e, ao mesmo tempo, minhas filhas estavam com 8 e 10 anos, demandando muito a minha presença no cotidiano delas. Por essas duas razões decidi entrar em um sabático”, lembra Claudia.

Nesse período, ela se dedicou intensamente à família, viagens e trabalhos sociais, facilitando atividade de consultoria a mulheres empreendedoras. Além disso, retomou a prática constante de atividade física, que havia ficado de lado com o desenvolvimento da carreira e a maternidade. O plano de Claudia era voltar ao mercado de trabalho em 2019, mas ao se deparar com uma propaganda do Ready to Return, da PepsiCo, viu ali uma oportunidade. “Fiquei interessada porque é um programa que mostra que a empresa respeita o profissional que ficou afastado por um tempo, e promove o seu retorno de forma estruturada”, diz a executiva, que ocupa atualmente o cargo de gerente de produtividade logística.

As pessoas que são contratadas pelo Ready to Return passam por uma espécie de treinamento durante dez semanas, recebendo salário e benefícios. Após esse período, há uma avaliação, tanto da companhia quanto do profissional, para ver se a relação de trabalho vai continuar. As três profissionais que ingressaram em 2018 seguem na multinacional. “As pessoas que chegaram pelo programa têm trazido uma grande contribuição e feito a diferença, agregando com suas experiências novas formas de pensar. Acreditamos na diversidade, pois ela nos faz melhores em todos os sentidos”, diz o Pordomingo. Apesar de as três primeiras contratadas do programa serem mulheres, o Ready to Return não faz restrição de gênero, e é aberto a qualquer profissional que esteja afastado do mercado, por qualquer motivo. Programas de reinserção no mercado de trabalho não são comuns. A iniciativa da PepsiCo, tal qual foi desenhada, é isolada no Brasil, mas há ações pontuais no mercado e em outras companhias que também acabam dando oportunidade de retorno ao trabalho para quem ficou afastado algum tempo. “No Brasil, programas de retorno ao trabalho ainda são muito recentes. É um movimento que caminha a passos lentos, apesar de ser uma prática que já está evoluindo e sendo mais difundida em outros países”, afirma Caroline Cadorin, diretora da consultoria de recrutamento e seleção Hays Brasil.

A consultora explica que esses programas começaram a surgir na última década devido à escassez de talentos e à necessidade de desenvolver uma ferramenta adequada de suporte a profissionais valiosos durante o processo de retorno ao mercado. “Esses programas são uma ótima alternativa para as empresas alcançarem profissionais que já possuem experiência e conhecimento de mercado, e por isso não precisam ser treinados do zero. A expectativa é que o mesmo processo que já vemos em outros países aconteça no Brasil nos próximos anos, e que as empresas se engajem com ações e políticas desse tipo.” Ainda que não seja iniciativa de uma só empresa, o grupo Mulheres do Varejo, que fomenta uma maior participação feminina nas lideranças das companhias do setor, vem ajudando mulheres a se recolocarem no mercado. Já foram 13 desde a criação do grupo, em 2018 — e algumas delas estavam com dificuldade de se recolocar por terem ficado um tempo afastadas. Fatima Merlin, uma das fundadoras do Mulheres do Varejo, diz que a prática começou de modo informal. “Somos 280 mulheres engajadas no Telegram e quase 8 mil no LinkedIn, todas varejistas e muitas ocupando cargos de ‘C-Level’, com poder de decisão. Então, passamos a receber currículos de mulheres e a compartilhá-los no grupo, para quem tivesse oportunidade de recolocar essas profissionais”, conta. Ter uma indicação é algo que ajuda. “Existem barreiras para a mulher que ficou afastada, pois ainda existe a ideia de que ela está desatualizada, principalmente se tirou um tempo para se dedicar à maternidade. Há um preconceito maior com quem tem filho pequeno, pois surge o questionamento: ‘será que ela vai ser produtiva?’ São mitos, porque a mulher é dedicada e produtiva. São mitos que precisam ser quebrados”, diz Fatima. 

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