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28/08/2019 | Fim do expediente às 18h já prejudica trabalho em órgãos ligados ao Ministério da Economia - O Estado de S. Paulo

O primeiro dia de economia forçada de energia nos prédios do Ministério da Economia causou transtornos às atividades realizadas por servidores de diversos órgãos vinculados ou hospedados pela pasta nos Estados. Há relatos de funcionários que precisaram concluir seus trabalhos sob a luz de lanternas, já que desde a segunda-feira, 26, a iluminação das sedes do ministério deve ser desligada a partir das 18h.

Para economizar R$ 366 milhões neste ano, o Ministério da Economia publicou na semana passada uma portaria determinando uma série de ações para a redução nas despesas da pasta. Dentre as medidas anunciadas, o expediente foi limitado ao horário das 8h às 18h, foram cortados celulares dos servidores e viagens internacionais terão controle mais rígido.

O secretário executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, garantiu na semana passada que as atividades essenciais do ministério não serão afetadas e que o atendimento ao público também funcionará normalmente. Mas servidores de diversas áreas já encontraram dificuldades para concluírem suas tarefas no primeiro dia de validade do novo horário.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) precisaram trabalhar à luz de lanternas nesta segunda-feira na superintendência do órgão em Minas Gerais, que fica sediada no edifício do Banco Central na capital mineira.

Da mesma forma, servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) tiveram de interromper a análise de documentos relacionados a operações de fiscalização nos Estados nos quais o órgão também funciona em edifícios vinculados ao Ministério da Economia. E o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi obrigado a suspender aulas de mestrado oferecida no período noturno.

O presidente da Unacon Sindical - que representa os servidores do Tesouro Nacional - e do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate), Rudinei Marques, alega que a economia prevista com energia elétrica é muito pequena diante dos problemas que a medida pode causar às atividades dos órgãos vinculados à pasta.

"As operações de leilões da dívida pública e até mesmo negociações internacionais podem se prejudicadas. A liberação de garantias para empréstimos dos Estados pode atrasar e operações de fiscalização in loco da Receita Federal ou de defesa comercial podem ser adiadas para não passarem do horário das 18h", argumenta o sindicalista.

As entidades que representam os servidores enviaram nesta terça-feira, 27, um ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, considerando "louvável" o esforço do governo para a contenção de despesas, mas alertando para possíveis prejuízos "ao cumprimento da missão institucional dos órgãos".

Como alternativa para mitigar em parte o prejuízo com o fim do expediente às 18h, os sindicatos sugerem ainda a revogação de um ato que proíbe os servidores de tirarem menos de uma hora de intervalo para as refeições. "Possibilitar o horário de meia hora de almoço já ajuda um pouco, mas não resolve. O ideal é permitir o trabalho de quem precisa para além das 18h. Não é aí que está a economia que o ministério precisa", completa Marques.

Em nota, o Ministério da Economia informou que "caso seja demonstrado que as atividades da unidade são essenciais, o horário pode ser flexibilizado, desde que justificada e comprovada a necessidade da exceção pela área afetada".

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