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13/08/2019 | Empresas investem mais em 2019, apesar de revisões - Valor Econômico

As ondas de choque que a guerra comercial entre China e Estados Unidos lançou sobre a economia global chegaram aos negócios de exportadores brasileiros. E levaram à revisão de investimentos previstos para este ano por grandes nomes da indústria nacional, cujos mercados já enfrentavam algum tipo de desafio. Ao mesmo tempo, a recuperação da economia doméstica, que não veio no ritmo esperado, fez com que algumas indústrias de base reavaliassem planos. Entre as companhias que reduziram suas expectativas estão Braskem, Suzano, Gerdau, Usiminas e Petrobras.

O corte nas projeções não significa, no entanto, que as companhias investiram menos neste ano. Em muitos casos, o investimento executado em 2019 é superior ao de 2018 - indicando que o otimismo inicial perdeu fôlego, mas segue presente. Levantamento produzido pelo Valor mostra que entre 30 companhias do setor industrial, 18 aumentaram investimentos na primeira metade deste ano, na comparação anual. O crescimento médio no volume investido foi de 8,5%. Os dados foram retirados dos relatórios de administração publicados pelas companhias. A amostra é composta por empresas que já apresentaram os balanços referentes ao segundo trimestre e que detalharam seus investimentos em seus documentos.

Maior produtora de resinas das Américas, a Braskem cortou em US$ 100 milhões, ou cerca de R$ 400 milhões ao câmbio de hoje, o valor que planeja investir em 2019, com o ciclo de baixa da indústria petroquímica agravado pelo embate comercial entre as duas potências mundiais. Em reais, a previsão inicial era de investimentos de R$ 3,315 bilhões. Com a redução, o valor cai a pouco mais de R$ 2,9 bilhões, ainda acima dos R$ 2,77 bilhões aportados no ano passado. De acordo com o presidente da companhia, Fernando Musa, a principal razão para o corte no orçamento foi a revisão das expectativas futuras para a indústria petroquímica, sob a sombra da tensão comercial. "Quando fizemos o orçamento, já havia uma expectativa de ciclo de baixa, mas a situação real é um pouco mais impactante do que se esperava em função da guerra comercial entre China e Estados Unidos", observou.

Diante da postergação da melhora do ciclo petroquímico, a Braskem revisou projetos relacionados à expansão de capacidade para se concentrar em iniciativas de redução de custo, melhoria de processos e eficiência. A companhia segue investindo na nova fábrica de polipropileno nos Estados Unidos, agora com previsão de início de operação no primeiro semestre - antes, havia expectativa de partida no primeiro trimestre. O desembolso total no projeto supera US$ 420 milhões. Na Suzano, o corte de R$ 500 milhões na previsão de aportes, de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,9 bilhões, vem na esteira da forte deterioração dos preços da celulose puxada pelos chineses.

Com a redução da produção em curso, com vistas a reequilibrar estoques, a companhia gastará menos principalmente com manutenção e expansão da base florestal. Em 2018, antes de incorporar a Fibria, a Suzano investiu R$ 2,8 bilhões, alta de 59,3%. A Fibria investiu R$ 3,9 bilhões no ano passado, queda de 16%. Com as incertezas geradas pela tensão com Washington, os chineses, maiores compradores de celulose no mundo, preferiram usar volumes que tinham em inventário a fechar novas compras, levando à sobreoferta de fibra e à forte queda dos preços internacionais. A inversão do cenário externo, no momento de compra da Fibria, exigiu medidas adicionais de disciplina financeira. Indústrias com grande exposição ao mercado doméstico também estão reavaliando planos.

A Gerdau, por exemplo, atribuiu a revisão do orçamento para este ano, em R$ 400 milhões, à lenta retomada da economia brasileira. Inicialmente, a siderúrgica previa desembolsar R$ 2,2 bilhões em suas operações em 2019. Agora, deve investir R$ 1,8 bilhão e a revisão vai atingir projetos de aumento de capacidade no Brasil, entre os quais o de bobinas a quente. Entre 2019 e 2021, a companhia planeja investir R$ 7,1 bilhões. O menor ritmo de produção da indústria automotiva e o fraco desempenho da economia levaram a Usiminas a postergar a apresentação de um projeto de R$ 1 bilhão para implantação de uma nova linha de galvanizados. Conforme o presidente da siderúrgica, Sergio Leite, o plano será levado ao conselho de administração até meados do ano que vem porque a economia não apresentou o resultado esperado. Antes, a siderúrgica pretendia submeter o projeto ao colegiado até o fim do ano. As estatísticas do setor são pouco alvissareiras.

Depois de duas revisões, o Instituto Aço Brasil, que representa as siderúrgicas, trabalha agora com previsão de alta de apenas 0,4% na produção nacional de aço bruto, para 35,6 milhões de toneladas, frente a aumento de 2,7% estimado anteriormente. A Usiminas reduziu os aportes para 2019, de R$ 1 bilhão para R$ 800 milhões, mas por causa do atraso no processo de licenciamento para obras em Itatiaiuçu (MG). O valor representa quase o dobro do que foi aportado em 2018, quando o investimento da empresa já havia sido bem maior. Na Klabin, que tem em curso um projeto de crescimento de R$ 9,1 bilhões, o maior de sua história, os desembolsos com o plano de expansão não devem alcançar os R$ 2 bilhões estimados inicialmente para 2019. Agora, os desembolsos devem ficar entre R$ 1,75 bilhão e R$ 1,8 bilhão, sem impacto no cronograma do projeto. Em meio a um processo de desinvestimento, a Petrobras também informou projeções menores.

Agora, a estatal espera investir entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões em 2019. Anteriormente, a expectativa era que o montante chegasse a US$ 16 bilhões. Entre os motivos para a mudança, segundo a petrolífera, estão alguns fatores relacionados a sua estratégia de negócios, como a postergação de projetos e paradas programadas em refinarias e plataformas. Fora isso, a companhia revisou a taxa de câmbio com a qual trabalha, assumindo uma valorização maior do dólar frente ao real neste ano. No grupo das companhias que irão investir em 2019 menos que o planejado, duas já reduziram o montante executado no primeiro semestre. O montante da estatal caiu 20,5%, passando de US$ 6,20 bilhões, no ano passado, para US$ 4,94 bilhões neste ano.

O da Braskem recuou 4,6%, indo de R$ 1,23 bilhão para R$ 1,17 bilhão. Por outro lado, Usiminas, Gerdau e Klabin aumentaram o volume de recursos aplicados. No caso da Usiminas, o volume de investimentos avançou 47%, para R$ 194 milhões. Na Gerdau, o crescimento foi de 41%, para R$ 729 milhões. A Klabin mais que dobrou os investimentos, que somaram R$ 878 milhões na primeira metade deste ano. A fusão com a Fibria impediu a comparação dos valores aplicados por Suzano nos dois períodos.

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