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08/08/2019 | Varejo decepciona, mas não força revisão do PIB - Valor Econômico

O resultado do varejo em junho esbarrou na contenção de gastos das famílias e decepcionou analistas, mas, por enquanto, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre devem ser mantidas. Para a segunda metade do ano, há expectativa de melhora, considerando gradual recuperação do emprego e injeção recursos na economia, como das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em junho, as vendas do varejo avançaram apenas 0,1% ante maio, com ajuste sazonal. O varejo ampliado - que inclui veículos e material de construção - ficou estável, interrompendo três meses de ligeiras altas. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mediana das estimativas de 24 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data apontava para um crescimento de 0,5% em junho no varejo restrito e de 0,6% no ampliado. Responsável por metade das vendas do varejo nacional, o setor de supermercados ficou estagnado no mês. Combustíveis recuaram 1,4%, e a comercialização de móveis e eletrodomésticos caiu 1%. O varejo perde fôlego pela combinação de desemprego alto, baixo ritmo de atividade econômica e aumento do endividamento das famílias, diz Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). "As famílias estão mais endividadas. O resultado do Banco Central é o mais elevado desde abril de 2016, ano crítico para o varejo." Reportagem publicada pelo Valor na segunda-feira mostra que, em maio, a taxa de endividamento em relação à renda acumulada em 12 meses subiu para 44,04%.

A economista da Tendências Consultoria, Isabela Tavares, destaca que, em comparações mais longas, o varejo ampliado vem apresentando resultados melhores. As vendas aceleraram de 0,5% no primeiro trimestre para 1,2% no segundo, por exemplo, enquanto no varejo restrito passaram de estabilidade para queda de 0,3%. Essa melhora, no entanto, está relacionada mais ao acesso dos consumidores a crédito do que à capacidade direta de compra. Cálculos de Vitor Vidal, da LCA Consultores, apontam que o "varejo associado à renda" (como alimentos e combustíveis) caiu 1,1% no segundo trimestre, ante o primeiro. Já o varejo atrelado ao crédito subiu 2,1%, puxado por veículos. Segundo o IBGE, a comercialização de automotores cresceu 5,3% no segundo trimestre. "As condições de crédito estão mais atrativas do que em outras modalidades", diz Vidal.

O reflexo da recuperação do segmento de veículos na atividade pode ser limitado porque as maiores vendas ainda são para clientes corporativos, como locadoras, e o quadro doméstico não necessariamente chega à produção, prejudicada pelas perdas no mercado argentino, pondera Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon. 

Analistas aguardam a divulgação, nesta sexta-feira, dos dados do setor de serviços, cuja previsão em geral é de queda, para avaliar se há necessidade de mexer nas projeções de PIB do segundo trimestre. Olhando para frente, as perspectivas para as vendas no varejo são moderadamente positivas, avalia Alberto Ramos, diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs. Ele considera que o setor será apoiado por uma inflação baixa - o que sustenta o rendimento real dos salários -, crescimento do emprego, fluxo de crédito mais firme e taxas de empréstimos em declínio.

Mas o nível de desemprego ainda elevado e a confiança fraca do consumidor podem "limitar o dinamismo" do comércio, afirma. "Não tem como esperar uma evolução muito rápida do setor, porque não há perspectiva de que a taxa de desemprego caia tão rapidamente", diz Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getulio Vargas (FGV). A liberação dos saques do FGTS, apesar do potencial baixo de impacto na atividade, deve trazer algum alívio para a situação financeira das famílias e "abrir espaço para o consumo", afirma Tavares. Mas, como os pagamento só começam em setembro e o valor é limitado (R$ 500 por conta), Tobler diz não ser possível imaginar um grande consumo. "Deve ficar mais para bens de valor mais baixo ou serviços." 

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