• Pontaria Novo Governo
  • BOLETOS ON-LINE
  • coffee news mudou para melhor
  • sindeprestem 2018
  • CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018

02/08/2019 | Condições financeiras melhoram, mas efeito maior será em 2020 - Valor Econômico

O corte nos juros promovido pelo Banco Central nesta semana reforça um cenário já no radar dos economistas: as condições financeiras no Brasil melhoraram significativamente desde abril, abrindo caminho para um ambiente mais benéfico ao crescimento em geral. Os reflexos dessa mudança, porém, só devem ser sentidos plenamente na atividade no início de 2020 - e isso se o quadro expansionista se mostrar sustentável, o que vai depender de como o governo dará continuidade à agenda de reformas.

Após piora entre fevereiro e abril, o índice de condições financeiras da MCM Consultores atingiu, até a terceira semana de julho, o maior nível desde fevereiro de 2012. Os elementos que mais contribuíram para esse movimento foram a melhora do Índice Bovespa e a queda na curva de juros, conforme o mercado antecipou a decisão do BC de cortar a Selic, agora em 6% ao ano. Além de juros e bolsa, o índice da MCM inclui medidas para câmbio, risco país e depósitos compulsórios. É uma síntese do comportamento dos preços de ativos.

Quando o indicador está acima de zero, o que ocorre desde dezembro, indica condições expansionistas de liquidez na economia. No campo negativo, o quadro é contracionista. A recente melhora do índice, que está em 0,76, é explicada, sobretudo, pela aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar. A MCM esperava esse resultado apenas para agosto. Nos últimos meses, o tema tem guiado, em boa medida, os principais componentes das condições financeiras do país. O indicador da consultoria saiu de 0,036 no fim de 2018 para 0,28 em janeiro deste ano, impulsionado pela expectativa de agentes financeiros com as reformas anunciadas pelo novo governo.

A tumultuada análise do projeto para mudar aposentadorias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no entanto, fez com que o índice retornasse a 0,097 em abril, um patamar considerado neutro, ou seja, que não exerce estímulo sobre a economia. "Foi um início de governo em que se percebeu que a articulação política não seria tão fácil. Depois da primeira fase de bate-cabeça na CCJ, a reforma andou. Vimos uma valorização forte da bolsa, queda de juros intensa no mercado, valorização do câmbio e recuo do risco-país", diz o economista Alexandre Teixeira, da MCM. O Banco Central também aguardava sinais de que a reforma andaria para iniciar o corte nos juros.

Por um tempo, as condições financeiras oscilaram em níveis baixos, inclusive no campo negativo, a despeito de uma Selic rompendo pisos históricos. "As condições financeiras dependem de outros fatores que não só política monetária, como as expectativas dos agentes em relação ao futuro", diz Teixeira. Reduzir juros sem apoio fiscal, materializado pela reforma da Previdência e por expectativas de uma trajetória melhor para as contas públicas, poderia ter efeito adverso sobre as condições financeiras, segundo Teixeira. "O mercado provavelmente veria isso como uma ação voluntarista do BC, o que poderia levar a deterioração de expectativas e queda nos preços dos ativos."

Embora fatores domésticos tenham sido preponderantes para a melhora recente nas condições financeiras, também colaboraram para a expansão entre abril e julho o ligeiro alívio nas tensões comerciais entre China e Estados Unidos e a perspectiva de relaxamento monetário nos EUA e na Europa. "O componente externo despencou em 2018. Agora, está melhor do que no começo de 2019, mas ainda pior do que nos últimos anos", diz Fábio Ramos, economista do UBS Brasil. O banco também produz um índice de condições financeiras para o país, que abarca 15 indicadores de áreas como câmbio, bolsas, commodities e risco, domésticos e externos. "As condições financeiras no Brasil caminham para algo um pouco mais forte do que em 2016 e 2017, o que sugere recuperação para o segundo semestre", diz Ramos.

Segundo a MCM, a combinação de expansão das condições financeiras e redução adicional do juro real ex-ante (a taxa de um ano descontada da inflação esperada para os próximos 12 meses) favorece a retomada da atividade econômica em bases mais sustentáveis. "O cenário é que as condições financeiras prossigam melhorando. Mas isso vai depender muito de como o governo vai cuidar da agenda econômica. A reforma da Previdência é condição necessária, mas não é suficiente para garantir melhora persistente das expectativas e manter as condições financeiras da economia em patamar expansionista", diz Teixeira. Além da condicional política, existe uma defasagem de tempo entre a melhora nas condições financeiras e um impacto no Produto Interno Bruto (PIB). Nos cálculos da MCM, o efeito mais significativo no PIB é sentido dois trimestres após o "choque positivo" nas condições financeiras.

Logo, um indicador em expansão no início do terceiro trimestre de 2019 teria efeitos mais claro na atividade no começo de 2020. A previsão bate com a estimativa do UBS. "Neste ano fica difícil escapar de um crescimento entre 0,8% a 1%, considerando que 75% do PIB do ano já está dado. A chance é de começar 2020 melhor, com uma avenida de possibilidades para o ano que vem", diz Ramos. Teixeira, da MCM, diz que o mercado financeira reage rapidamente a boas notícias, mas o tempo da economia real é outro. "Essa confiança não vira economia real da noite para o dia. O 'lado real' vai ter de sentir essa melhora nas condições de financiamento e aí tomar decisões de investimento e de consumo", afirma. Já é possível ver algum esboço de reação na confiança empresarial, ele aponta.

O indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado na quartafeira mostrou que a confiança do empresário atingiu em julho o maior nível em quatro meses. Mas o avanço foi sustentado sobretudo pelo índice de expectativas. "O empresário olha para um horizonte de seis meses e vislumbra alguma recuperação, mas isso não está no dia a dia da empresa, não há otimismo para esperar recuperação rápida da demanda e contratar", diz Viviane Seda, coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

Fatos e Notícias

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02