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26/07/2019 | Trabalho: ainda não é a luz no fim do túnel, mas… - O Estado de S. Paulo

Daniel Duque, economista da FGV, e especializado em mercado de trabalho, ainda não vê luz no fim do túnel na seara do emprego e do crescimento, mas detecta leves sinais – a serem confirmados – do que poderia ser o início de um ritmo de atividade um pouco menos débil.

O nó da questão está nos números do crescimento da força de trabalho e da população ocupada da PNADC, e, especialmente, dos empregos formais nesta pesquisa.

Segundo Samuel Pessôa, economista-chefe da gestora Reliance, que trabalha com Duque no Ibre/FGV, “os dados da PNADC não conversam com os dados de atividade”.

Duque não vai tão longe: “Há uma leve dessintonia na PNADC, mas o quadro geral não me parece inconsistente”.

De janeiro a maio, a população economicamente ativa na PNADC cresceu 1,5% em relação ao mesmo período de 2018, o que Duque pensa que está relacionado à reversão gradual do quadro de desalento. A queda do desalento, por sua vez, pode derivar da identificação de algum sinal de vida no mercado de trabalho por parte dos desalentados.

No mesmo intervalo de tempo, entretanto, a população ocupada cresceu 1,7%, algo que, na visão de Duque, “parece sensivelmente mais forte do que o ritmo da economia no mesmo período”.

Por outro lado, a renda do trabalho na PNADC, que vinha crescendo, estacionou em abril e caiu de forma relevante em maio. Para Duque, isso deve ser um sinal de que o mercado de trabalho, apesar de capaz de absorver o contingente que ingressa na força de trabalho, ficou relativamente folgado, o que colocou certa pressão baixista nos salários.

Em termos de empregos formais na PNADC, houve crescimento até maio (sempre na comparação com o mesmo período de 2018) de 635 mil postos, excluindo os empregados domésticos, e de 334 mil, incluindo (houve recuo no emprego dos empregados domésticos).

Segundo Duque, “esses números não representam nenhum milagre econômico, mas são mais do que se espera com a economia crescendo a 1% ao ano”.

Na verdade, recorda o economista, desde o ano passado o Caged vinha exibindo um pouco mais de sintonia com a atividade econômica (do que a PNADC), tendo melhorado quando a economia deu sinais de que poderia engatar e piorando no segundo semestre, quando a retomada começou a engasgar de forma mais contundente. Já a PNADC não pareceu captar essas flutuações, sinalizando a maior parte do tempo uma redução da taxa de desemprego muito lenta e muito concentrada no mercado informal.

O curioso, portanto, é que, em 2019, quando a atividade econômica pareceu ficar ainda mais débil (e as projeções de PIB caíram abaixo de 1%), a PNADC, especialmente no emprego formal, começou a dar sinais de vida. Os postos formais na pesquisa pararam de cair no primeiro bimestre, e cresceram em março, abril e maio.

Duque nota que essa melhora “foi puxada principalmente pelos números de abril e maio”. Isso pode se conjugar, ele acrescenta, com o IBC-Br de maio, que cresceu 0,54% ante abril, o que é uma alta mensal expressiva.

O resumo é que a economia “pode estar começando a engatar a partir de abril e maio”, mas, cauteloso, Duque ainda não compra com entusiasmo esta ideia.

O Caged de maio, divulgado hoje, com saldo líquido de 48,4 mil vagas formais, veio acima da projeção de 35 mil do Ibre, mas o economista diz que este resultado “não muda a história de um crescimento baixo, mas consistentemente positivo”. Ele estima que a criação de vagas em 2019, de cerca de 530 mil, ficará próxima à de 2018, o que não é particularmente animador.

Duque, portanto, vê o mercado de trabalho ainda presa de uma recuperação econômica extremamente lenta, num ritmo anual por volta de 1%, o que joga para além do horizonte o momento de volta aos níveis pré-recessão ou mesmo de se ter novamente taxas de desemprego na faixa de um dígito.

“Para que o mercado de trabalho se recupere de forma mais efetiva, o crescimento econômico tem que ir no mínimo para 2%”, ele diz.

Se alguém buscar uma migalha de otimismo na análise do economista, entretanto, pode ser que, em abril e maio, o ritmo da recuperação tenha começado a se mover para além do péssimo nível recente.

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