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25/07/2019 | Desemprego leva baixa renda a derrubar confiança do consumidor - Valor Econômico

A ausência de sinais de retomada no mercado de trabalho levou ao recuo de 0,4 ponto no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) entre junho e julho, para 88,1 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas. O fato de não se notar indícios de ritmo maior de abertura de vagas atingiu principalmente as expectativas das famílias de baixa renda, que acabaram derrubando o indicador, explicou a coordenadora de Sondagens da FGV, Viviane Seda Bittencourt.

Como não há fatores que indiquem melhora no emprego nos próximos meses, a técnica não descartou continuidade de confiança do consumidor em baixa. Nem mesmo a possibilidade de saque de parcela de contas de FGTS, ativas e inativas poderia reverter esse cenário.

Principalmente porque o valor de saque de até R$ 500 não teria impacto suficiente para impulsionar a economia. Viviane detalhou que, de junho para julho, a confiança das famílias de baixa renda caiu de forma muito mais intensa que a média nacional. Na faixa de renda familiar até R$ 2.100, o ICC caiu 3,1 pontos; entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800, a queda foi de 1,9 ponto.

Ela comentou que nem mesmo a aprovação do texto-base da reforma da Previdência neste mês ajudou a melhorar o humor dessas famílias de menor poder aquisitivo. "Isso teve mais impacto entre famílias mais abastadas" disse, acrescentando que, entre famílias com renda familiar acima de R$ 9.600 o ICI subiu 4 pontos entre junho e julho. "Aprovação do texto-base não fez diferença para quem ganha menos", resumiu.

A especialista foi questionada se a trajetória do indicador poderia se reverter com a autorização de saques de FGTS e de PIS/Pasep. Ela comentou que, com valor máximo de R$ 500, o setor da economia que poderá ser favorecido é o de bens não duráveis, que pode ter melhor demanda. Mas o de duráveis, cujos itens tem maior valor agregado, não deve passar por aumento de procura. "Não vai ser suficiente movimentar a economia. Vai dar impulso de consumo, mas será um consumo direcionado. Difícil ter um impacto no mercado de trabalho", comentou Viviane.

A economista observou que a confiança em baixa do consumidor de baixa renda pode se manter nos próximos meses. Isso, na prática, deve ajudar a compor novas taxas negativas no ICC. "Os de baixa renda não conseguem vislumbrar efeito rápido em sua situação financeira com a aprovação da reforma da Previdência", disse. "A situação financeira familiar [dos mais pobres] está muito volátil, dado que o emprego não está se mostrando consistente", comentou a técnica. 

Ela frisou que, somente com retomada mais robusta e contínua no emprego, seria possível recuperação sustentável na confiança do consumidor. 

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