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01/07/2019 | Os melhores empregos no Brasil são os que mais crescem (João Saboia) - Valor Econômico

Uma das maiores preocupações na atual conjuntura econômica é a alta taxa de desemprego e o pequeno volume de novos empregos que têm sido criados no país. O Brasil, entretanto, não está condenado a continuar nessa situação e a médio prazo há condições de superação dessas dificuldades desde que haja disposição para seu enfrentamento. Não é preciso recuar muito no tempo para se encontrar um período bastante favorável para o mercado de trabalho.

Entre 2004 e 2014, embora a economia tenha passado por períodos mais favoráveis e outros nem tanto, houve uma combinação virtuosa de crescimento do emprego e dos salários, redução da informalidade e, consequentemente, redução da taxa de desemprego, que mal passava de 6% no final do período. A partir do aprofundamento da recessão de 2014 e da forte crise que se instalou no país em 2015 e 2016, houve redução do nível de emprego e a taxa de desemprego mais que dobrou.

Nos últimos dois anos, a economia continua patinando, trazendo dificuldades para o mercado de trabalho, que vem se recuperando muito lentamente. Uma análise mais desagregada do mercado de trabalho nos últimos anos pode nos trazer ensinamentos sobre como agir para superar as dificuldades no futuro. É isso que tentamos fazer adiante a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O período analisado vai de 2003 a 2017, incluindo a fase de maior crescimento da economia até 2010, a desaceleração nos anos seguintes até 2014, e a recessão e crise dos anos mais recentes. As ocupações são apresentadas segundo os 45 subgrupos principais da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).

Por serem informações da RAIS, apenas o setor formal da economia está coberto, sendo, portanto, excluído todo o setor informal do mercado de trabalho. Nesse período, o volume de empregos formais passou de 29,5 milhões em 2003 para 46,3 milhões em 2017. Sem dúvida, um crescimento expressivo. Os dados do período 2003/2017 são também separados em dois subperíodos: 2003/2010, de maior crescimento, quando o PIB aumentou 33,6%; e 2010/2017, de desaceleração e crise da economia, quando o aumento foi de apenas 3,4%. O objetivo é diferenciar a geração de empregos em anos melhores e piores.

A tabela mostra os dez subgrupos ocupacionais que apresentaram as maiores taxas de crescimento do emprego no período 2003/2017. Em 2017, eles correspondiam a 7,2 milhões de pessoas, ou seja, pouco mais de 15% do total. As taxas de crescimento variam entre 95% para os técnicos de nível médio das ciências biológicas, bioquímicas e da saúde e 210% para os pesquisadores e profissionais policientíficos. Entre os dez subgrupos que apresentaram os dados mais favoráveis, cinco são profissionais de nível superior, três são técnicos de nível médio, um é da área de serviços (trabalhadores de atendimento ao público) e um agrícola (trabalhadores da mecanização agropecuária e florestal).

Os profissionais de nível superior destacados são das mais diversas áreas, movendo-se entre as ciências exatas, jurídicas, humanas e da saúde, entre outras. Seus salários são bastante elevados para o padrão do país. Os três subgrupos de técnicos de nível médio cobrem também várias áreas como nos transportes, na saúde ou em outras especialidades. O destaque para o pessoal da mecanização agropecuária não chega a surpreender tendo em vista a modernização agrícola ocorrida no país nos últimos anos. Da mesma forma, o destaque para os trabalhadores de atendimento ao público simplesmente confirma a importância do setor de serviços na geração de empregos no Brasil.

Esses últimos, entretanto, estão em uma outra escala em termos de qualificação, recebendo salários bem inferiores aos dos profissionais de nível superior e técnicos de nível médio. Os dez subgrupos da tabela são bastante heterogêneos quando considerado o volume de emprego o e nível de salário. Em 2017, variavam entre 38 mil pesquisadores e profissionais policientíficos e 2,4 milhões de trabalhadores de atendimento ao público. Em termo salariais, entre R$ 1.448 para este últimos e R$ 12.890 para os profissionais das ciências jurídicas. Outra informação importante sobre os dez subgrupos ocupacionais é que eles continuaram gerando novos empregos mesmo no período 2010/2017 de desaceleração e crise da economia, com taxas que variaram entre 17% para os profissionais das ciências exatas, física e engenharia e 50% para os pesquisadores e profissionais policientíficos.

Em resumo, a experiência do país nos últimos 15 anos mostra que a demanda por trabalhadores qualificados foi elevada, mesmo quando a economia desacelerou. Portanto, é preciso se preparar para o futuro quando a economia se recuperar, entrar definitivamente na quarta revolução industrial, e a demanda por tais trabalhadores for bem maior. Para isso, além da modernização tecnológica estrito senso, será necessário enfrentar os desafios da educação em geral e da formação profissional de alto nível em particular, tanto em nível técnico quanto em nível de ensino superior.

 

João Saboia é professor emérito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ). Este artigo é um pequeno resumo de uma pesquisa mais ampla que está sendo desenvolvida pelo autor e alunos do IE-UFRJ com apoio do CNPq. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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