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19/06/2019 | É preciso falar da Nairu (Fábio Alves) - O Estado de S. Paulo

Com a taxa de desemprego acima de dois dígitos há mais de três anos, cresce o debate sobre se a ociosidade da economia brasileira atualmente seria bem maior do que se imagina, pois uma parcela grande de analistas talvez esteja superestimando o nível de desemprego de equilíbrio, abaixo do qual começa a gerar pressão sobre a inflação.

Essa taxa de desemprego de equilíbrio ou que não gera inflação, mais comumente chamada pelo seu acrônimo em inglês Nairu (Non-accelerating Inflation Rate of Unemployment), é uma das maneiras de se medir a ociosidade da economia – o hiato do produto. Quanto maior esse hiato, maior a capacidade de a economia absorver um aumento da demanda sem pressionar a inflação. Isso abriria espaço para um ciclo de corte de juros pelo Banco Central.

A dificuldade nesse debate é que cada analista tem o seu cálculo do nível da Nairu e também do hiato do produto, além de que há várias formas de mensurar esse hiato, incluindo a que leva em conta o mercado de trabalho. Como não há um modelo único de cálculo da Nairu, fica difícil haver um consenso sobre qual seria a taxa de equilíbrio de desemprego que, de fato, reflita hoje com maior precisão o grau de ociosidade da economia brasileira.

Só para lembrar, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, do IBGE, ficou em 12,5% no trimestre encerrado em abril deste ano. O pico foi no trimestre encerrado em março de 2017, quando a taxa atingiu 13,7%. E desde então, o menor nível de desemprego foi no trimestre findo em dezembro de 2018, de 11,6%.

Para o sócio fundador da Mauá Capital e ex-diretor do BC, Luiz Fernando Figueiredo, a Nairu deve estar hoje inferior a 9%. Ele lembra que, no passado, já se estimou essa taxa em 6,0% a 6,5%.

“Os modelos estão superestimando a Nairu por conta do desemprego estar alto por muito tempo, algo como 11,5%”, diz Figueiredo. “Não é razoável acreditar que o desemprego de equilíbrio é tão alto.”

Segundo ele, fazendo um exercício colocando a Nairu em 9,5%, o hiato do produto seria 1,5% mais aberto do que os modelos mostram hoje. “Ou seja, em linguagem não economês, a nossa economia tem muito mais ociosidade do que os modelos projetam”, explica Figueiredo. “Isso quer dizer que a inflação será mais baixa por mais tempo.”

Para ele, os modelos superestimando a Nairu reduzem o espaço para corte de juros, uma vez que, segundo esses modelos, a ociosidade da economia levaria menos tempo para ser eliminada. “Mas a economia está parada e com muita ociosidade; não é por outra razão que a inflação não cansa de surpreender para baixo.”

Já o economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena, lembra que, por construção, a Nairu está associada ao hiato do produto e há métricas de hiato do PIB que vão de 7% a 1%.

“Não quero dizer que a variância da Nairu seja tão grande, mas apenas que é difícil calcular com precisão qual é a Nairu e mais ainda mencionar qual seria a visão dominante, média, sobre ela”, argumenta. Pelos cálculos dele, a taxa de desemprego de equilíbrio está ao redor de 10%.

“Como a crise é profunda e longa, há um processo de perda de qualificação de muitos trabalhadores durante esse período, ainda mais diante da velocidade das mudanças que assistimos na economia nos dias de hoje”, diz Pena. “Sem treinamento e requalificação nos últimos anos e historicamente já com produtividade baixa, boa parte da nossa mão de obra terá muita dificuldade para retornar ao mercado de trabalho.”

Assim, o economista da Porto Seguro afirma que não há porque temer o mercado de trabalho como uma fonte de pressão inflacionária no curto ou médio prazo, à medida que a retomada da economia deve ocorrer com pouca geração de vagas de trabalho. “É muito mais provável uma elevação no número de horas trabalhadas do que de vagas abertas.”

Ainda que o Congresso aprove a reforma da Previdência, o que injetaria maior confiança entre os agentes econômicos, levando a um aumento de investimento e consumo, muitos analistas preveem que a taxa de desemprego seguirá bem acima da Nairu pelos próximos dois anos, no mínimo.

*COLUNISTA DO BROADCAST

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