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28/02/2019 | Empregos gorados - O Estado de S. Paulo

O fechamento da fábrica da Ford, em São Bernardo, produziu forte trauma porque ameaça 3 mil postos de trabalho, diretos e indiretos. É a hora em que sindicatos e autoridades correm atrás de providências que tentem reduzir os estragos.

No entanto, poucos se importam com os milhões de postos de trabalho que deixam de ser abertos porque empresas de todos os tamanhos não se animam a investir e, portanto, deixam de contratar mão de obra. Nesta quarta-feira, a Pnad Contínua apontou população desempregada no trimestre móvel encerrado em janeiro de 12,0%, ou 12,7 milhões de pessoas (veja o Confira).

É preciso aceitar o diagnóstico correto e abandonar as ilusões há muito cultivadas por aqui. O diagnóstico correto começa por admitir que, com as exceções de praxe, a indústria brasileira é pouco competitiva. Por isso, investe pouco e emprega pouco. São como ovos gorados.

O setor de veículos é a prova mais dolorosa disso, como os exemplos mais recentes da GM e da Ford o demonstram. Não consegue exportar e mesmo para garantir mercado interno precisa de enorme proteção tarifária e de generosos pacotes de incentivos.

Uma das lendas divulgadas por empresários é a de que isso só acontece porque o câmbio não ajuda, sempre está “pelo menos 30% defasado”, como nos anos 80 insistia o empresário Laerte Setúbal.

Como também insistem certos economistas, o câmbio só é bom quando atende à indústria “no estado da arte”. O problema é que esse “estado da arte” é o da crônica incapacidade de competir. Seria preciso armar um câmbio artificial que garantisse esse “estado da arte” descabido. Toda a macroeconomia do País teria de ser redesenhada de maneira a dar lugar à montagem de metas de câmbio.

Não dá mais para afirmar que a indústria não tem escala de produção. O Brasil, com 220 milhões de habitantes, não é o Chile, que tem apenas 18 milhões. A indústria brasileira não consegue se inserir nas redes globais de produção e distribuição porque está excessivamente protegida e, também, tributada.

É superprotegida porque sofre de complexo de Peter Pan: exige tratamento dado ao estágio da primeira infância, bem diferente do que houve na Coreia do Sul, que hoje produz 5 milhões de veículos por ano, dos quais exporta 4 milhões.

Mas há, também, a supertributação. O veículo brasileiro leva uma carga tributária de 34%, enquanto a dos Estados Unidos é 7%. Não dá para competir nessas condições. O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconhece a carga excessiva e já avisou que pretende cortar o Imposto de Renda das empresas de 34% para 15%. Mas ainda não explicou como compensará a queda da arrecadação, assunto que fica para desenvolver em outra oportunidade.

Mas o que ficou dito empurra ao círculo vicioso de sempre: a carga tributária é alta porque as despesas do Estado ficaram grandes demais, em especial as da Previdência Social. E carga tributária alta demais semeia incertezas, afasta investimentos e não cria empregos.

Ou se reduz o tamanho do Estado e, com ele, o tamanho da arrecadação ou será necessário manter e aumentar a carga tributária e, com ela, a indústria seguirá pouco competitiva, com impacto sobre o emprego de mão de obra.

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