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21/07/2017 | A nova etiqueta do trabalho - Valor Econômico

Por Angela Klinke

No lançamento de seu livro "Chic Profissional: Circulando e Trabalhando num Mundo Conectado" (Paralela; R$ 44,90; 224 págs.), em São Paulo, Glória Kalil fez uma enquete. Queria saber as profissões dos presentes ao debate que antecedeu a sessão de autógrafos. "Fiquei surpresa que 70% dos participantes eram coachs." Trata-se de um público novo para alguém que traduziu a moda e guiou leitores com best-sellers de estilo e comportamento. "Faz sentido, pelo assunto do livro. Todo mundo está procurando trabalho ou tentando manter o que tem."

Gloria estava sem lançar livro havia cinco anos; o anterior é "Viajante Chic", de 2012. A definição do tema do novo trabalho foi se desenhando diante dos próprios desafios da autora. "Há quatro anos as empresas pararam de me pedir consultoria de 'dress code'. Foram ficando cada vez mais reticentes em dizer o que queriam para seus funcionários, frente a questões de gênero, da globalização, da exigência de informalidade e das manifestações de intolerância. Decidi que era aí que iria entrar - nesse território do não dito", diz Glória, consultora de moda e empresária.

Nesse "terreno movediço", o caminho que encontrou foi fazer um "panorama do mundo do trabalho", e não um livro em que ditasse regras. Ela estabelece "balizas e parâmetros", mas como uma proposta civilizatória. Une os padrões e códigos do mundo ocidental da diplomacia, da economia e da política com depoimentos de 92 entrevistados. É a construção de um diálogo.

"Somos vistos e vemos diferentes culturas e comportamentos o tempo todo na internet, nas redes sociais. É uma tensão entre a proximidade e a distância. Este livro é para despertar as pessoas para o outro. Seu ambiente de trabalho é o mundo: olhe com quem você está falando, onde você está e o que pretende", afirma Glória.

Logo nas primeira linhas, ela avisa que escreveu elegendo o gênero feminino: "Cara (o) leitora (or)". "Minha língua é minha pátria, vejo-me automaticamente oculta na minha cidadania pela designação masculina. Essa distorção acontece tanto na vida privada, doméstica, como na pública, e isso inclui o mercado de trabalho que é ocupado - no mundo todo - por 53% de mulheres que recebem 15% a menos que seus colegas do sexo masculino na mesma função."

Glória escolheu criar uma tensão, uma irritação na leitura, ao encher o texto com esses parênteses para que a "situação absurda" estivesse presente o tempo todo nos diferentes temas que discutisse. Para ela, é preciso incomodar para estimular a mudança.

Como ela lembra, em 7 de novembro do ano passado, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e as parisienses cruzaram os braços às 16h45 e sete segundos. Seus salários anuais só as remuneravam até aquele momento, quando comparados aos dos homens nas mesmas funções.

Quando fala de roupa de trabalho, portanto, Glória está levando em consideração essas assimetrias. Quando diz que o comprimento da saia de uma advogada deve ser no meio do joelho, por exemplo, é uma constatação. Nos ambientes formais, as regras existem e contam pontos, afirma. "Uma vice-presidente da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] me disse que na verdade elas precisam se vestir como homens. Há juízes que sequer permitem que a saia seja de cor diferente do blazer."

Ela acreditava e até já defendeu que as pessoas tinham que se vestir para representar a empresa. Não mais. "As reivindicações femininas, a questão de gênero e a tão decantada individualidade estão entrando nos armários da moda e colocando um de seus princípios - o 'dress code' no trabalho - em questão", escreveu.

Um dos episódios que destaca é o da britânica Nicola Thorp, que fez uma petição ao Parlamento inglês: "Proíbam as empresas de exigir das mulheres o salto alto no trabalho". Ela foi impedida de exercer a função de recepcionista temporária na PricewaterhouseCoopers de Londres porque não cumpriu a exigência de sua empregadora, a Pórtico. Com o apoio de redes sociais e mais de 100 mil assinaturas, sua reclamação foi aceita pelo poder público. Estava liberta dos saltos.

Em outros tempos, as tatuagens eram um estigma e precisavam ficar escondidas. "Hoje quem tem menos de 40 anos e não é tatuado é exceção. Há empresas que acham que a tatuagem é uma expressão de modernidade. Tudo vai depender do ambiente em que se está inserido para não gerar ruído ou virar meme, desviando a atenção da capacidade profissional."

Para ela, o caso recente mais exemplar nesse sentido foi a aparição da apresentadora Renata Vasconcellos usando um quimono no "Jornal Nacional", com grande repercussão nas redes sociais. "A questão é a pertinência. A peça fashionista destoou naquele contexto profissional."

Cita, contudo, exemplos em que é possível o "diálogo" mesmo nos ambientes formais. O cerimonialista do Theatro Municipal de São Paulo, Egberto Cunha, teve a permissão de usar salto alto na abertura da temporada sinfônica. Veste calça e camisas pretas, figurino solicitado pelo teatro nessas ocasiões, com scarpins vermelhos.

Nem todo "look" precisa ser uma trincheira, contudo. Glória destaca que o guarda-roupa de trabalho não é igual ao guarda-roupa de lazer e nem ao social. Não deve ser fashion e nem "relax". Precisa ser pensado e montado em função do ambiente (formal ou informal), até para ganhar tempo e garantir meia hora a mais de sono. Tem, ainda, até dicas para quem vai trabalhar de bicicleta.

"Você pode perguntar: respeito se consegue com um terninho bem cortado? Eu digo que uma boa aparência não substitui competência, mas não há competência que não se beneficie de uma boa aparência", escreve Glória. Essa regra poderia ser questionada quando se entra no terreno do "megainformal", no qual transitam os jovens CEOs das startups. Como se, ao fazer fortuna usando chinelo e camiseta, eles tivessem inaugurado a era do "pode tudo".

Glória diz que muitos executivos sempre perguntam por que não foram liberados do terno e da gravata. "E eu devolvo a pergunta: 'Por que vocês não se libertaram quando Bill Gates ganhou protagonismo de calça cáqui e camisa?'." Os símbolos ainda são muito importantes no guarda-roupa masculino. "O megainformal Mark Zuckerberg, por exemplo, usou terno e gravata em seu casamento."

Para a nova geração de empreendedores, o "pode tudo" não diz respeito só ao guarda-roupa. Em seu depoimento, Fernando Reinach, sócio do fundo Pitanga, que investe em startups inovadoras, diz ter visto o "diabo" quando acompanha esses jovens em visitas a diretores de grandes empresas ou banqueiros para quem vão expor projetos.

"Eles não sabem que quem conduz a reunião é o anfitrião, que é ele quem estabelece o ritmo do encontro, quem tem de ser ouvido primeiro, quem pede o café. Não sabem nem conversar", disse Reinach.

Outra entrevistada de Glória, Cristina Junqueira, sócia-fundadora da startup de cartão de crédito Nubank, contou que "apesar da diversidade de gêneros, de tipos e de figurinos que vemos por aqui, não toleramos falta de educação, nem gente preconceituosa". A autora não foge desse vespeiro. Explica como segurar os talheres num almoço e a preparar um currículo; como falar no celular e a responder um e-mail; destaca a importância de um RSVP e que a simpatia brasileira pode ser mal interpretada em outros países. Ela "acompanha" os candidatos desde o intercâmbio, passa pelas entrevistas e até sobre conversa mole e "bullying" no escritório.

"Estamos na pré-história do mundo digital e tudo ainda vai mudar muito. Quando falo de 'dress code', de comportamento e de etiqueta hoje, não estou dizendo que isso é bom ou ruim, muito menos eterno. Mas é preciso saber que esses códigos existem. Não é possível viver numa realidade paralela no mundo cada vez mais competitivo do trabalho", diz Glória Kalil.

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