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18/07/2017 | Em junho, País gerou 9,8 mil postos de trabalho - O Estado de S. Paulo

Fabrício de Castro

BRASÍLIA -O Brasil abriu 9.821 vagas de emprego formal em junho, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho. O resultado decorre de 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões.

Esse foi o terceiro resultado positivo seguido e o primeiro  positivo para o mês desde 2014.  O dado ficou dentro das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde fechamento de 12.500 vagas a abertura de 50.000 postos, com mediana positiva em 21.150 vagas. 

No acumulado do primeiro semestre de 2017, há uma abertura de 67.358 postos de trabalho com carteira assinada. Nos 12 meses até junho, há fechamento de 749.060 vagas.

O resultado mensal foi puxado pela agropecuária, que gerou sozinha 36.827 postos formais em junho. Em seguida, teve desempenho positivo o setor de administração pública, com geração de 704 vagas.

Por outro lado, tiveram saldo negativo comércio (-2.747 postos), construção civil (-8.963 vagas), indústria extrativa mineral (-183 postos), serviços industriais de utilidade pública (-657 postos), indústria de transformação (-7,887 postos), comércio (-2.747 postos) e serviços (-7.273 postos).

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, chamou atenção para o fato de a geração líquida de vagas formais de emprego no primeiro semestre de 2016, de 67.358 postos, representar o melhor resultado desde o primeiro semestre de 2014. 

"Tivemos em junho o quarto mês de geração de empregos em 2017. Queríamos estar comemorando números melhores, mas o Brasil possui suas especificidades", comentou durante coletiva de imprensa. "Podemos destacar o setor agropecuário, que foi importante em junho, e alguns subsetores da indústria de transformação."

Segundo o ministro, os setores que ficaram negativos no Caged foram influenciados por fatores regionais. "A indústria foi mais negativa no Sul e no Sudeste", exemplificou Nogueira. "Mas não há anomalia geral em setores que apresentaram números negativos", disse.

Ele reconheceu que existe uma queda de emprego na indústria em setores mais dinâmicos, como os do Sudeste e do Sul, mas lembrou que em outras regiões não houve baixas no setor. "Quedas na indústria e serviços estão mais concentradas no Sul e Sudeste. Mas Norte e Nordeste têm dados positivos", pontuou. Para o ministro, a economia dá sinais de recuperação, sendo que esta retomada "se estabelece de forma segura".

"2014 foi o último ano que tivemos resultados positivos. 2015 e 2016 são anos específicos da crise", pontuou o coordenador geral de Estatísticas do Ministério do Trabalho, Mario Magalhães. Ele lembrou que 2014 foi um momento de crescimento econômico acelerado, enquanto 2017 é um ano de retomada.

Magalhães lembrou ainda que a agropecuária tem dois movimentos distintos no Brasil. No primeiro semestre, há geração de vagas, com picos em abril e maio e reflexos em junho e julho – o que foi verificado nos números de hoje do Caged. No segundo semestre, o ímpeto diminui. Ainda assim, o ciclo agrícola do Nordeste, baseado na cana de açúcar e na produção de frutas, contribui para amenizar o movimento no setor. Na prática, a expectativa é de geração de vagas no setor no segundo semestre, mas com números mais contidos.

O ministro destacou também que houve ganho para o trabalhador em matéria de salário, em 2017. "Quem se mantém no mercado ou consegue se inserir, não está perdendo nada", disse. Segundo ele, a média salarial do primeiro semestre deste ano foi de R$ 1.463, o que representa uma alta de 3,5% em relação ao primeiro semestre de 2016 (média de R$ 1.413).

"A economia está em processo de recuperação. Agora, do ponto de vista técnico, é difícil dizer quando você entraria em rota consistente de pleno emprego", disse o ministro, ao ser questionado a respeito de quando o País vai recuperar a situação de pleno emprego.

Segundo ele, o governo tem tomado medidas concretas no setor, com sinalizações importantes ao mercado. Ele citou o ajuste das contas públicas, a reforma da Previdência e a liberação do FGTS como medidas importantes para a recuperação da economia e geração de vagas. "O governo passou, com a reforma trabalhista, sinal ao mercado sobre a segurança jurídica para contratar", afirmou. "Houve ainda expansão do prazo para retirada do abono salarial. São sinalizações de que o trabalhador terá acesso a recursos."

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