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30/06/2017 | Terceirização exige aprendizado contínuo e executivo multi-tarefa - Valor Econômico

No novo cenário, a meta não será mais galgar postos numa mesma empresa, mas disputar cargos em concorrentes

Mudanças nas regras trabalhistas estão apenas começando, mas seus reflexos já aparecem nas relações das empresas com seus profissionais. A terceirização, que deve ganhar espaço como forma de contrato, passa a exigir executivos com perfil polivalente e múltiplas competências. No novo cenário, a meta não será mais galgar postos numa mesma empresa, mas disputar cargos em concorrentes. Com maior rotatividade no mercado de trabalho, os executivos deverão estudar e se renovar regularmente. "Aprendizado contínuo" passa a ser a palavra de ordem, afirma Wilson Amorim, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP).


As mudanças são perceptíveis nos bancos de escolas de economia e administração como a Faap, de São Paulo. "Não falamos mais em direito de trabalho, mas em relações trabalhistas", diz Denise Delboni, coordenadora do curso de pós-graduação em administração de recursos humanos da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap). Nesse contexto, o que era garantido por direito, passa a ser discutido entre as partes.

Outro dado é que profissionais dentro de uma mesma empresa serão contratados em diferentes modalidades, terceirizados, temporários, free-lancers, 'celetistas', o que pode dificultar as relações.

O processo de terceirização no Brasil se acentuou nos anos 1990, recebeu regulamentação mais aberta em março e agora deve passar por mudanças mais amplas, na opinião de Amorim. "A balança pende para o lado das empresas, porque poderão escolher o vínculo que for mais conveniente para elas no momento de definir a contratação do trabalhador", afirma.

Nessa conjuntura, segundo o professor, o profissional, em si, terá menos autonomia para tomar decisão e deverá estar preparado para ser aceito em diversos vínculos e ter funções provavelmente diferentes. "Como consequência, sua competência e suas capacidades devem estar voltadas para a versatilidade, a polivalência e a possibilidade de ocupar funções diferenciadas em ocupações diferenciadas ao longo do tempo", alerta.

Esse nível de exigência é novo, reforça Amorim, frente ao quadro institucional de preparação de mão de obra que temos no Brasil. "Somos um país que está recuperando o atraso na parte educacional. Vamos ter menos oportunidades de ocupação proporcionalmente ao número de pessoas procurando trabalho", explica. E prossegue: "Haverá uma variedade maior de oportunidades, mas a dificuldade será encaixar o que o profissional sabe fazer com as ofertas do mercado. Já estamos vivendo esses impactos".

A professora Denise lembra o que chama de "efeito penoso" da terceirização, que é a uma possível precarização do trabalho. "Isso pode acontecer em algumas áreas como a de serviços, ou seja, menos benefícios, menor obediência à lei, salários invariavelmente mais baixos que os praticados pela organização contratante", comenta.

Outra decorrência da terceirização é a desvalorização da carreira. "Um profissional que começaria em uma grande organização já com perspectiva de ir para o primeiro escalão, não a tem mais, se estiver em uma empresa terceirizada", diz Denise. O que não acontece com os mais jovens. "Eles querem migrar de uma empresa para outra, buscando o trabalho que mais lhes interesse", acrescenta.

Fernando Mantovani, diretor geral da Robert Half, consultoria especializada na contratação de profissionais, diz que a legislação trabalhista brasileira é tão obsoleta que qualquer operação feita com o objetivo de modernizar a relação entre empregado e empregador é bem-vinda. "É preciso criar flexibilizações para o empregador ter um pouco mais de conforto e poder tomar mais risco", afirma.

Na sua avaliação, a CLT não traz estabilidade, apenas proporciona alguns direitos e benefícios, mas que, no médio prazo, não se sustentam. O executivo não acredita que o profissional temporário tenha menos direito, porque são a oferta e a demanda que regulam o mercado, seja na legislação trabalhista, seja na terceirizada. 

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