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26/05/2017 | Em aceno ao Congresso, Temer afirma que 'Brasil não parou e não vai parar' - Folha de S. Paulo

GUSTAVO URIBE
DE BRASÍLIA
25/05/2017  18h24 - Atualizado às 22h55

Em meio a especulações sobre a realização de uma eleição indireta, o presidente Michel Temer gravou pronunciamento nesta quinta-feira (25) para defender que ainda tem condições de governabilidade para continuar à frente do Palácio do Planalto.

No vídeo veiculado nas redes sociais, ele ressaltou que o país não está paralisado e, mesmo diante do cenário atual, foram aprovadas medidas econômicas no Congresso Nacional. "O Brasil não parou e não vai parar. Nós continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional", disse.

O presidente avaliou que as manifestações favoráveis à sua saída do cargo, na quarta-feira (24), ocorreram "com exageros", mas não impediram a Câmara e o Senado de votarem medidas governamentais. Ele também agradeceu a base aliada pelo apoio neste momento.

"As manifestações ocorreram com exageros, mas deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil e aprovaram número expressivo de medidas provisórias, sete em uma semana. E a reforma trabalhista no Senado, expressão do compromisso em superar a crise", disse.

As aprovações aconteceram após a oposição deixar o plenário em protesto contra a convocação do Exército para agir contra manifestantes.

Ele disse ainda que a atuação do governo continuará e há ainda "muito a fazer". "O trabalho continua, vai continuar e temos muito a fazer e esse é o único caminho que meu governo pretende seguir: colocar o país nos trilhos. Portanto, vamos ao trabalho", acrescentou.

No vídeo, o presidente ignorou o recuo em relação a decreto que permitiu a atuação das Forças Armadas após protesto contra o seu mandato. O episódio criou uma crise entre os poderes Legislativo e Executivo.

O objetivo do vídeo foi tentar passar uma mensagem ao mercado financeiro de que o presidente ainda tem condições de aprovar as reformas trabalhista e previdenciária e que não pretende renunciar ao cargo para a escolha de um substituto.

As articulações para a substituição do presidente evoluíram nas três principais forças políticas do país –PSDB, PT, PMDB– e agora envolvem diretamente três ex-presidentes da República: Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e José Sarney.

Desde a última quinta (18), quando foram divulgados os detalhes da delação da JBS que envolvem Temer, eles têm liderado conversas suprapartidárias em busca de um consenso para a formação de um novo governo, caso o peemedebista seja cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os três caciques, pontos de contato nos diálogos que acontecem reservadamente em Brasília e São Paulo, cuidam para que os debates não ganhem caráter partidário. As conversas estão pulverizadas, uma vez que, por ora, cada sigla traça caminhos diferentes para o desfecho da crise.

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