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17/08/2018 | Para analistas, políticas públicas precisam alcançar mais que os 12,9 milhões de desempregados - O Globo

O próximo governo terá de elaborar políticas públicas de criação de emprego para um contingente muito mais amplo do que os atuais 12,9 milhões de desempregados. De acordo com o IBGE, no segundo trimestre, faltou trabalho para 27,6 milhões de brasileiros.

O número engloba não só os desempregados, como os 4,8 milhões que desistiram de procurar uma vaga — o maior patamar de desalento desde o início da pesquisa, em 2012. Será preciso considerar também os 6,5 milhões que trabalham menos horas do que gostariam porque não encontram oportunidades no mercado. Há ainda outros 3,3 milhões que queriam estar empregados, mas se veem impossibilitados de assumir o posto no momento. Uma das explicações é o cuidado com filhos ou idosos.

A situação se torna ainda mais grave quando se leva em conta que 3,1 milhões dos que buscam um posto de trabalho estão à procura de uma vaga há dois anos ou mais - o maior contingente do chamado desemprego de longo prazo desde 2012.

O desemprego de longa duração é, segundo especialistas, um dos motivos para o aumento do desalento. Depois de procurar emprego por muito tempo e não conseguir, muitos acabam desistindo ou não tendo condições de continuar em busca de uma vaga, até por falta de recursos para despesas de transporte e outros custos.

- São 4,8 milhões de pessoas (desalentados) que, se você oferecer emprego, elas estão disponíveis para trabalhar. Isso significa que a desocupação pode ser muito maior do que ela é. Significa que, na hora de criar políticas para criar emprego, será preciso considerar muito mais que os 12,9 milhões de desocupados — afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

FOCO NA QUALIFICAÇÃO

Há duas semanas, a versão menos detalhada da Pnad mostrou que a taxa de desemprego recuou para 12,4%, influenciada pelo aumento do número de pessoas que deixaram de buscar oportunidades.

O principal caminho para a gerar emprego, na visão dos economistas, é a retomada do crescimento da economia. Mas, com um quadro tão complexo, eles sugerem alternativas para estimular o mercado de trabalho. Para Bruno Ottoni, pesquisador associado do Ibre/FGV e IDados, poderiam contribuir à retomada do emprego políticas de incentivo fiscal para empresas que contratassem pessoas há muito tempo fora do mercado, nos moldes do que foi feito em alguns países europeus:

- Com os incentivos, as empresas poderão investir na capacitação dos trabalhadores.

João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, reitera que o motor para reverter o cenário é ampliar o crescimento. Mas vê espaço para aplicação de políticas públicas de treinamento e qualificação, com foco em ações de médio e longo prazos, concentradas em educação:

— Quanto mais tempo fora do mercado, com menos condição de retorno a pessoa fica. Será preciso investir em educação, treinamento, para que elas estejam mais qualificadas para se colocar no mercado.

Hélio Zylberstajn, economista da USP e coordenador do Salariômetro, resume:

— A política é voltar a crescer. Só com crescimento se cria mais emprego, se demandam mais horas e encoraja as pessoas a voltar a procurar.

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