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16/08/2018 | País deve pensar no futuro e virar chave do seu crescimento, diz economista - Folha de S.Paulo

 

Enquanto a inovação não for definida como estratégia para o desenvolvimento do país nada vai mudar, diz Gianna Sagazio, diretora de inovação da CNI (Confederação Nacional da Indústria). 

“A gente sabe que é um momento difícil para o Brasil, de busca do equilíbrio fiscal. Mas isso não pode apagar uma agenda de futuro. É preciso resolver questões emergentes, mas também pensar no futuro”, afirma ela, que é também superintendente do IEL (Instituto Euvaldo Lodi), criado pelo setor industrial e que prepara as empresas para aumentar a competitividade.

O instituto coordena a Mobilização Empresarial pela Inovação, movimento formado pelas 500 maiores lideranças do país com o objetivo de ampliar a inovação no Brasil.

O Brasil ficou em 64º lugar no ranking do Índice Global de Inovação em 2017, depois de subir cinco posições. Mas despencou 17 posições em relação a 2011. Por que não avança?  

Porque a inovação não é prioridade do país. Na China, o primeiro país de renda média que ficou entre os 20 mais inovadores do mundo, existe uma estratégia montada para que a inovação seja o fio condutor do desenvolvimento. Os países mais inovadores —por acaso, os mais competitivos e desenvolvidos— têm políticas com prioridade para investir nessa área. Em 2017, os EUA investiram US$ 532 bilhões (R$ 2 trilhões); a China, US$ 279 bi (R$ 1 tri); a Alemanha, US$ 105 bi (R$ 407 bi). Estamos bem longe disso. 

Quanto o Brasil investe?

O dado mais recente, de 2015, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que o Brasil empenhou R$ 76 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em inovação. O governo federal e os estaduais desembolsaram R$ 38,3 bilhões, e o setor privado, R$ 38,1 bilhões. Ou 1,28% do PIB investidos em P&D, 0,64% para cada lado. Aqui, pesquisa e desenvolvimento são considerados custos. Nos países mais inovadores, investimento.

Esse ritmo de investimento tem se sustentado? 

Nos últimos anos, há uma evolução sustentada do investimento empresarial. O mesmo não acontece com o setor público, onde há muita oscilação. Desde 2014, o investimento público vem caindo, o que é ruim para o país, pois não há previsibilidade nem garantias da disponibilidade de recursos. Isso afeta a decisão de investimento por parte do empresário e atrasa o desenvolvimento da inovação no país.

Se falta ao Brasil uma estratégia nacional de inovação, de quem ela tem de partir, somente do governo? Esse é o coração do trabalho que a Mobilização  Empresarial pela Inovação, a MEI, que completa dez anos, promove. É um movimento com as principais lideranças empresariais para fortalecer a inovação aqui.

Como a MEI atua concretamente?

Conseguimos o novo marco regulatório de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação), regulamentado em fevereiro. Trabalhamos para não deixar suspender a Lei do Bem [como ficou conhecida a lei 11.196, de 2005, que concede incentivos fiscais às empresas que fazem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica], instrumento importante para as empresas inovarem, e para aperfeiçoar a lei de informática. Uma das nossas principais pautas é a modernização do ensino das engenharias.

 Qual é a proposta?  

Não dá para formar um profissional preparado para a quarta revolução industrial usando a mesma base curricular de 40 anos atrás. Discutimos uma proposta com o Conselho Nacional de Educação para novas diretrizes nos cursos de engenharia. Outra questão é que a oferta de cursos de engenharia cresceu, mas ainda lidamos com grande evasão. Parte disso se explica nas deficiências do ensino de segundo grau. Educação é a base do desenvolvimento.  Precisamos melhorar a eficiência do nosso gasto, buscar mais qualidade e modernizar o ensino. 

Quais os principais entraves à inovação na indústria? 

Há um conjunto de fatores. Existe o marco regulatório, que precisa ser aprimorado, a educação, o ambiente de negócios, nada amigável para quem quer empreender, a burocracia. A questão da taxação que não estimula as empresas a inovar. E a gente precisa também de uma cultura que permita o erro. Nos países mais inovadores, é comum uma empresa abrir, fechar, não dar certo, abrir outra. Faz parte do processo de aprendizado.  Inovação é um investimento de longo prazo, de alto risco e tem que ter um ambiente que favoreça isso. E, claro, instrumentos financeiros.

Como manter inovação como prioridade?  

A gente sabe que é um momento difícil para o país, que tem que se buscar o equilíbrio fiscal. Mas isso não pode apagar uma agenda de futuro. É preciso resolver as questões emergentes, mas também pensar no futuro. A inovação é urgente e o investimento de longo prazo não pode sufocar isso.

Há uma série de pesquisadores, cientistas, profissionais indo embora do país... 

Inovar significa não ter cortes no orçamento do Ministério de Ciência Tecnologia nem nos recursos para pesquisa e desenvolvimento nas universidades. Empresa não inova sozinha, tem que ter parceria. Tem que ter bolsa de estudo, subvenção econômica, crédito com taxas compatíveis para estimular os investimentos privados. 

Quando as fontes de financiamento público à inovação secam, qual a saída? 

 Em países que elegem a inovação como prioridade, isso não acontece e não pode acontecer. Defendemos fortemente não apenas a manutenção, mas também a ampliação dos fundos de ciência e tecnologia. Num cenário de escassez, o que temos feito é buscar parcerias e complementariedade entre as fontes disponíveis.

De que forma ocorrem essas parcerias? 

No âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação, criamos o MEI Tools, que reúne soluções para as empresas conseguirem inovar. A maneira que encontramos é estreitar a articulação entre as instituições que oferecem financiamento e linhas especiais para inovação. Essa é uma pauta constante e relevante para a CNI e a MEI. 

Como destravar questões que emperram a inovação?

Os países que estão no topo têm subvenção econômica, recebem estímulos para o investimento privado chegar à inovação. Hoje no Brasil praticamente não existe mais subvenção. Para a empresa, investir significa criar empregos, de qualidade, mais bem remunerados. Isso vai gerar bem-estar, qualidade de vida e dinamizar a economia. Se a gente tem um ambiente que prende tudo, em que tudo é errado, tudo não pode, como investir? É impossível. E, se for investir, acaba indo para fora.

 Outro aspecto é a parceria de empresas de ponta com estrangeiras. O caminho é entregar a tecnologia desenvolvida aqui?

Estamos discutindo muito, com os integrantes do índice global de inovação, que o Brasil precisa ter uma marca, um branding de inovação. Hoje temos um que é a Embraer. Temos de trabalhar para ter várias embraers, valorizar empresas inovadoras, como Natura e outras, para que sejam reconhecidas aqui e no mundo. Mas é preciso ter senso de urgência. Há vários aspectos que não podem esperar para podermos diminuir o gap [entre o Brasil e outros países], senão ele só vai aumentar.

Apresentamos 43 propostas aos candidatos à Presidência e pelo menos cinco delas —agenda de inovação, ensino de engenharias, indústria 4.0, sistema de propriedade intelectual e compras públicas como instrumento de desenvolvimento tecnológico— focam diferentes aspectos da inovação fundamentais para a virada de chave no crescimento brasileiro. 

São questões que não poderão ser ignoradas pelos próximos governantes, sob pena de agravar a situação brasileira. A CNI e a MEI vão trabalhar essa agenda com qualquer candidato que vencer nas urnas.

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