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16/08/2018 | Diversidade nas empresas aumenta inovação e melhora competitividade - Folha de S.Paulo

Perspectivas variadas levam a soluções inovadoras. Essa é a premissa que vem guiando o trabalho de mulheres no comando de grandes empresas de tecnologia, transformando comportamentos e dando oportunidade não apenas a outras profissionais, mas também a grupos que não tinham abertura nesse universo.

De acordo com dados do BCG (Boston Consulting Group), uma das maiores consultorias estratégicas do mundo, negócios fundados por mulheres tendem a conseguir maior rendimento: mais do que o dobro por dólar investido. Mas, quando procuram investidores, elas recebem menos capital do que os homens. 

“Sei que o preconceito existe, e os números revelam isso. Meu trabalho é contribuir para eliminar barreiras”, diz Paula Bellizia, 46, presidente da Microsoft Brasil.

Mesmo que lentamente, o papel das mulheres no mundo dos negócios está crescendo com a transformação digital.

“No mundo empresarial, quem não tem diversidade perde em inovação e, consequentemente, em competitividade”, analisa Bellizia.

“O futuro de qualquer companhia está pautado na tecnologia e, se as mulheres não estiverem verdadeiramente envolvidas, os investidores estarão perdendo um grande potencial de inovação”, avalia Candice Pascoal, 39, fundadora do Kickante, site de financiamento coletivo.

“Diversidade é um elemento-chave para qualquer tipo de inovação. É essencial a participação de pessoas com vivências diferentes para garantir que tenhamos ideias com potencial para revolucionar maneiras antigas de pensar”, afirma Cristina Junqueira, 35, cofundadora do Nubank.

O Nubank é uma fintech, startup que usa a tecnologia para atuar no setor financeiro. Começou com um cartão de crédito sem anuidade e agora está investindo em contas online, sem agências.

“Na área financeira, quando se fala de inovação, todo mundo pensa em pagamento móvel, pagamento com pulseira. Eu não tenho nenhum cliente que ficou sem dormir porque não tem uma pulseira que faz pagamentos. Ao passo que há milhões de pessoas no Brasil que não dormiram a noite passada porque estão com problemas no banco”, diz Junqueira.

“Eu acredito que inovação seja resolver problema de verdade, problema que dói. E fazer isso de maneira criativa”, completa.

Cristina Palmaka, 49, presidente da SAP Brasil, companhia que trabalha com software e soluções de gestão de empresas, concorda que inovação não depende de gênero, mas destaca o potencial feminino em trabalhar com criatividade.

“O que acontece é que há um número menor de mulheres no mundo da tecnologia.” Elas têm somente 18% dos títulos de graduação em ciência da computação e representam, atualmente, 25% da força de trabalho da indústria digital. 

Esses dados foram divulgados em fevereiro deste ano em um evento promovido pela ONU Mulheres em parceria com a Unesco e a Serasa Experian. 

Segundo a pesquisa, no entanto, 74% das meninas têm interesse em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

“Estou criando um grupo de mulheres latino-americanas que lideram empresas de tecnologia, o Latinas.tech, para que possamos empoderar mais mulheres”, diz Pascoal. 

“Em 2017, a consultoria Crunchbase divulgou que apenas 17% das startups tinham mulheres como fundadoras. Temos que mudar esse conceito de que ciência da computação é coisa de homem. Mulheres ao redor do mundo estão fazendo trabalhos revolucionários.”

Na medida em que as empresas perceberam que a inovação se dá de maneira mais eficaz com funcionários diversos, teve início uma mudança de pensamento no mercado. 

Agora, além de tentar combater o preconceito, as companhias desenvolvem projetos de responsabilidade social que incentivam jovens meninos e meninas a atuar na área, apostar na diversidade racial e abrir espaço para profissionais LGBT.

A Microsoft definiu que todos os processos de recrutamento devem contar com pelo menos uma mulher entre os candidatos finalistas. 

“Será escolhido quem se mostrar mais preparado, homem ou mulher. Mas isso garante que haja um olhar mais cuidadoso em relação às mulheres e à ampliação do ingresso delas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, afirma Paula Bellizia.

Já a SAP Brasil estabeleceu metas para ter mulheres em cargos de liderança. O objetivo de chegar a 25% de profissionais femininas em posição de gerência até o final de 2017 foi alcançado. “Esperamos agora atingir 30% até 2022”, diz Cristiana Palmaka. 

No Nubank, Cristina Junqueira afirma que 40% do quadro de funcionários é formado por mulheres, mas reconhece que, em postos ligados diretamente à tecnologia, esse número é menor. 

“Não pensamos apenas em gênero. Pela nossa estimativa interna, mais de 30% dos funcionários se declaram LGBT. O ambiente aqui sempre foi inclusivo. Não se trata de algo que a gente está começando, tentando ou discutindo. A gente está fazendo.”

Com extensa experiência no mercado financeiro —também tradicionalmente masculino—, Junqueira diz que teve de aprender a lidar com a falta de referências femininas. 

“Nunca tive uma chefe mulher. Há 20 anos, eu sabia que, se fosse disputar algo com um homem em igualdade de condições, eu perderia. Então, decidi que tinha de ser sempre melhor. Não podia esperar a gente consertar o mundo, então fui fazendo isso em paralelo.”

APESAR DAS LONGAS JORNADAS, VIDA PESSOAL TAMBÉM É PRIORIDADE

É possível ocupar um cargo de liderança em uma empresa de tecnologia, ter vida pessoal e acompanhar de perto a rotina dos filhos, mesmo que isso exija uma dose extra de organização e esforço.

"É importante que as mulheres entendam que elas podem ter sucesso pessoal e profissional ao mesmo tempo. Muitas de nós lideram mercados e não deixaram de cuidar dos filhos", afirma Candice Pascoal, fundadora e CEO da Kickante, site de financiamento coletivo.

Construir a carreira sem ter de abdicar dos momentos em família é o maior orgulho de  Paula Bellizia, 46, presidente da Microsoft Brasil.

"Não dá para separar uma coisa da outra, mas manter esse equilíbrio exige disciplina e organização. Alguns fatores contribuem para isso, como o fato de a Microsoft ter política de horário flexível e oferecer a possibilidade de participar de qualquer reunião remotamente. Além disso, sou casada com um homem que sempre me apoia e divide comigo a responsabilidade da criação dos nossos filhos."

Cristina Junqueira, 35, cofundadora do Nubank, ficou grávida na mesma época em que trabalhava no lançamento da empresa. Entrou em trabalho de parto no escritório, deu à luz numa quarta-feira e, na segunda seguinte, estava de volta ao trabalho.

"Foi muito intenso, até hoje não sei como sobrevivi, francamente. Eu não tenho necessariamente orgulho disso, tenho quase uma tristeza. Eu fiz o que eu precisava, mas espero que ninguém tenha de passar pelo que eu passei. Já há uns dois anos, consegui um equilíbrio. Levo minha filha à escola, chego bem cedo para trabalhar, não faço horário de almoço e, quando dá cinco da tarde, eu saio para buscá-la. Criei uma rotina em que consigo ter um tempo de qualidade com ela."

Organização também é palavra-chave no dia a dia de Cristina Palmaka, 49, presidente da SAP Brasil. Com jornadas diárias de cerca de 12 horas, ela diz que sempre se dividiu entre o trabalho e a vida pessoal, mas que é rígida com horários, delega, estabelece prioridades e está sempre conectada.

"Sou uma pessoa que faz um montão de coisas. Minha filha tem 12 anos, ela sabe que meu tempo é dividido e tem um entendimento muito grande disso. Acordo supercedo, por volta de 5h30, e corro ou faço musculação pela manhã", diz ela, que é maratonista.

"Em casa, tomamos café todos juntos. Além disso, sou muito organizada com horários e tem coisas que para mim não são negociáveis, seja da minha vida pessoal ou da profissional. O resto eu vou encaixando."

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