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19/07/2018 | Jovens superqualificados gostariam de deixar o país - Valor Econômico

Se dependesse da vontade dos jovens brasileiros, o Brasil seria o país que mais exporta profissionais com alto nível de educação para o mundo. Em um levantamento global realizado nos primeiros três meses do ano pelo Boston Consulting Group (BCG), 75% dos 1.358 entrevistados no país disseram que gostariam de trabalhar em outro lugar. Entre eles, 76% tinham menos de 30 anos de idade e 82% possuíam um alto nível de educação, como mestrado, PhD, doutorado ou qualificação semelhante.

Essa vontade de mudar dos brasileiros está na contramão da tendência global. O estudo incluiu, ao todo, 366 mil profissionais, de 197 países. No geral, apenas 57% demonstraram interesse em trocar de país para trabalhar. "Foi uma queda de 7 pontos percentuais em relação ao mesmo estudo realizado em 2014", diz o Manuel Luiz, sócio e diretor executivo do BCG.

No caso brasileiro, segundo ele, o aumento em relação aos 63% que disseram querer trabalhar fora em 2014 se deve, principalmente, à falta de perspectiva de avançar na carreira por conta da lenta recuperação econômica. "Existe também a busca por posições em algumas áreas nas quais o país não oferece muitas opções, como as relacionadas a novas tecnologias que incluem inteligência artificial, 'machine learning', robótica e automação", afirma.

Ele lembra que o mercado chinês passou por um movimento semelhante. "Hoje menos chineses querem deixar o país para trabalhar no exterior porque a economia cresceu e o trabalhador chinês mais qualificado já consegue emprego. No Brasil, passamos pelo que eles viveram em 2014", afirma. A taxa de mobilidade de talentos na China em 2014 era de 61% e agora ela caiu para 33%.

No geral, 67% dos entrevistados que desejam ter mobilidade para atuar em outros países são especialistas em segmentos como design de interface de usuário e desenvolvimento de aplicativos móveis, entre outras novas tecnologias. "Eles trabalham em áreas que vão dar suporte à digitalização dos produtos de empresas tradicionais", diz o consultor. 

Mas não foi só no Brasil que a vontade de mudar de ares cresceu. Entre os indianos 90% disseram que gostariam de trabalhar em outro país. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, o percentual também subiu. "Esse é um efeito das medidas restritivas à imigração", diz. Os movimentos migratórios, segundo ele, ganham força quando as pessoas buscam mais estabilidade econômica ou política.

O destino mais popular para os profissionais no mundo continua sendo os Estados Unidos. Mas a volatilidade das políticas do presidente Donald Trump fez com que o país deixasse de ser escolhido como destino número um por algumas nacionalidades, em especial, pelos mexicanos. Enquanto isso, a Alemanha chegou à segunda posição entre os lugares mais cobiçados justamente por apresentar políticas mais amigáveis para os estrangeiros.

"A Alemanha ganhou também com o efeito do Brexit, que fez muita gente desistir de pensar em trabalhar no Reino Unido, que obteve uma classificação mais baixa do que em 2014 na preferência dos profissionais", afirma Manuel Luiz. O Reino Unido caiu da segunda para a quinta posição, embora Londres continue liderando a escolha dos participantes entre as cidades. "Mais da metade dos londrinos votaram pela permanência na comunidade europeia e as pessoas sabem disso", diz.

Outros países que se destacaram na preferência dos profissionais foram o Canadá e a Austrália. "Nesses casos também é possível ver um efeito da política anti-imigração americana favorecendo esse movimento", diz. 

Em algumas regiões onde a situação econômica melhorou desde 2014, o percentual de interessados em mudar caiu. Foi o caso de países como Polônia, Croácia, Eslovênia e Romênia. "Neles as oportunidades de trabalho melhoraram muito nos últimos anos", afirma Manuel Luiz. 

Independentemente da nacionalidade, o consultor acredita que a mobilidade motivada pelo trabalho, embora tenha arrefecido em relação a 2014, continua no radar dos profissionais em todo o mundo. "A busca por talentos é uma questão que continua sendo importante para as empresas e o mercado global precisa expandir essa procura geograficamente", diz. 

Para ele, os recrutadores e as companhias vão precisar recrutar profissionais com habilidades digitais em outras regiões que hoje não estão nas buscas mais automáticas. "Tem muita gente boa com flexibilidade que pode se tornar competitivo internacionalmente e que ainda está longe dos 'pools' de recrutamento tradicionais." 

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