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13/07/2018 | UGT promove feirão de emprego para aumentar sindicalizados - O Globo

Após fim do imposto sindical, central busca alternativas para elevar receitas

SÃO PAULO — Na tentativa de ampliar as receitas sindicais, que caíram fortemente depois do fim do imposto sindical, determinado pela nova legislação trabalhista que entrou em vigor em novembro, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) passará a fazer o processo seletivo de contratação de empregados para as empresas do comércio e, em troca, tentará sindicalizar todos os novos funcionários selecionados. De acordo com Ricardo Patah, presidente da UGT, a novidade será implementada primeiramente no sindicato dos comerciários, categoria com a qual a UGT já fez parcerias com as empresas, num processo que deve selecionar 2 mil novos empregados a partir da próxima segunda-feira.

— Essa é uma consequência da reforma trabalhista, que extinguiu o imposto sindical. Convencendo o trabalhador a se sindicalizar e conseguindo fazer isso em massa, melhora a nossa situação — afirmou. A sindicalização dos comerciários de São Paulo custa R$ 30 por mês.

Segundo Patah, o empregado sindicalizado tem acesso a benefícios como serviços médicos e de dentista, descontos em universidades e acesso a lazer. A ideia é estender o modelo para os cerca de 1.330 sindicatos da central.

— Mas o mais importante é fortalecer o sindicato para que a gente faça boas negociações para a categoria. Depois da reforma trabalhista, o negociado prevalece sobre o legislado, portanto um bom acordo é vital para os trabalhadores — disse ele, observando que a sindicalização não será obrigatória no feirão.

Segundo o advogado Otávio Pinto e Silva, sócio trabalhista do escritório Siqueira Castro e professor na Universidade de São Paulo, não há nenhuma irregularidade em o sindicato colaborar com as empresas na busca de mão de obra qualificada. Ele diz que o esforço também é válido no sentido de garantir maior filiação sindical, diante das mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista, entre elas o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical.

— Se as empresas têm vagas, é natural que o sindicato faça essa intermediação e também trabalhe pela qualificação profissional de seus filiados. O que o sindicato não pode fazer é forçar o trabalhador a se sindicalizar para que consiga o emprego. Isso fere uma cláusula da Constituição que trata da liberdade da filiação sindical. É o trabalhador que tem que tomar a decisão se quer ou não se sindicalizar. Trata-se de um ato de escolha — disse Silva.

 

 

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