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06/07/2018 | Suspeito de corrupção, ministro do Trabalho pede demissão - Valor Econômico

Suspeito de corrupção, ministro do Trabalho pede demissão - Valor Econômico

Alvo da Operação Registro Espúrio da Polícia Federal (PF) por suspeita de integrar organização criminosa dedicada a fraudes na emissão de registros sindicais, o ministro do Trabalho Helton Yomura (PTB-RJ) pediu demissão do cargo, ontem, depois de ser afastado da função pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi o primeiro afastamento pela via judicial de ministro no governo Michel Temer. O ministério será assumido interinamente por Eliseu Padilha, que acumulará a função com a chefia da Casa Civil.A nomeação foi publicada em edição extra do "Diário Oficial da União", na noite de ontem. O cargo de secretário-executivo, segundo na hierarquia da Pasta, está vago desde que o seu então ocupante, Leonardo Arantes, foi preso preventivamente pela Registro Espúrio, em 1º de junho.

Durante a deflagração da 3ª fase da operação, os federais fizeram busca e apreensão em endereços de Yomura, prenderam temporariamente o chefe de gabinete dele, Júlio de Souza Bernardes, e vasculharam o gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) - onde foram apreendidos R$ 5 mil em dinheiro vivo guardados em uma mala. 

Fachin também autorizou prisões temporárias por cinco dias do superintendente do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro, Adriano Lima Bernardo, e do assessor parlamentar de Marquezelli, Jonas Lima. No apartamento de Jonas foram encontrados R$ 95 mil reais em espécie. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão. 

Ao Valor, Marquezelli disse que a PF o questionou sobre "cinco ou seis nomes" do Ministério do Trabalho que ele alegou não conhecer, e que esteve reunido apenas com Helton Yomura. 

A PF pediu ainda a Fachin para realizar buscas em endereços do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), e da chefe de gabinete dele, Vivianne Melo. Os policiais citaram conversas dos investigados que indicariam que o ministro teria se valido do cargo para solicitar registros sindicais a entidades de seu interesse, como o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias e Cooperativas de Carnes e Derivados, do Mato Grosso do Sul - Estado onde Marun mantém sua base eleitoral.

Mas Fachin não atendeu ao pedido da PF e seguiu manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que entendeu não haver indicativos de envolvimento de Marun nos delitos investigados pela Registro Espúrio. 

Em entrevista coletiva realizada ontem, em Brasília, Marun se defendeu das suspeitas. "Nunca conversei com nenhum servidor daquele ministério a respeito de demanda de qualquer sindicato, pessoalmente ou por telefone", disse. 

O ministro afirmou ser vítima de retaliação, porque, segundo ele, denunciou "abusos de poder" da PF e do Judiciário. "Até sabia que poderia ser alvo de retaliações, mas não esperava que poderiam vir de forma covarde". 

Levado à sede da PF em Brasília, onde ficou por menos de uma hora, Helton Yomura manteve-se em silêncio seguindo orientação de seu advogado. Ele se recusou a fornecer a senha de seu celular, que foi apreendido, até ter acesso aos autos. Ao deixar a PF, Yomura disse que está muito surpreso com as investigações e que não há provas de seu envolvimento em quaisquer irregularidades no ministério.

Os indícios de crimes foram descobertos com a análise de mensagens de celular trocadas por Yomura com o ex-servidor da Pasta Renato Araújo Júnior e a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). 

Para a Registro Espúrio, Yomura tinha "participação ativa" no esquema fraudulento. A PF afirma que o agora ex-ministro acompanhava de perto o andamento dos registros sindicais e interferia diretamente nos processos, orientando servidores. 

Em uma das mensagens interceptadas pela PF, um funcionário do Ministério do Trabalho diz que concedeu autorização a um sindicato para atender pedido de um vice-presidente da Força Sindical e de um superintendente regional da Pasta. O funcionário diz que tal decisão  teria contrariado interesses de Carlos Marun. "Mas você sabia que ia dar conflito", responde Yomura. De acordo com a investigação, "importantes cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com indivíduos comprometidos com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas praticadas na Pasta".

Yomura é ligado ao ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente nacional do PTB condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do mensalão - em 2016 ele recebeu indulto do ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Ele também é apadrinhado político da filha de  Jefferson, Cristiane Brasil. Ela chegou a ser nomeada por Temer para o Trabalho, mas teve sua posse suspensa pela presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, em 22 de janeiro. Para o Judiciário, Cristiane não atende ao requisito da moralidade administrativa para ocupar a função, porque já foi condenada judicialmente por dívidas trabalhistas.

No relatório de investigação da Registro Espúrio, a PF descreve Yomura como um fantoche; sustenta que ele foi colocado no cargo para dar continuidade ao suposto esquema criminoso que segundo os investigadores tinha Jefferson e Cristiane como líderes. 

A investigação narra que nas mensagens trocadas pelo ex-ministro com Cristiane, a parlamentar determina quem deve ser nomeado ou exonerado para cargos no Ministério do Trabalho. 

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