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26/06/2018 | O Brasil está triste – Folha de S.Paulo

Por Benjamin Steinbruch, empresário, diretor-presidente da CSN e primeiro vice-presidente da Fiesp

 

A Copa começou sem muito entusiasmo dos brasileiros. Não foram vistas tantas camisas amarelas quanto em eventos anteriores, nem tantas ruas com asfalto pintado, nem muitas bandeiras nos carros ou em janelas de apartamentos.

O Brasil está, seguramente, mais triste. Talvez porque os 7 a 1 de Belo Horizonte, em 2014, tenham derrubado o índice de autoestima futebolística do brasileiro. Ou porque a recessão e o desemprego falem mais alto que a diversão esportiva.

Pode ser que tudo isso mude e termine em um grande carnaval se a seleção chegar à final de 15 de julho e ganhar o hexacampeonato. Sabemos há muito tempo que não pode ser subestimado o valor do futebol no humor cívico do brasileiro.

Seja qual for o desfecho da Copa da Rússia, porém, os brasileiros terão de se concentrar em seguida numa decisão muito mais importante para o país: a escolha de seus representantes políticos, principalmente do presidente da República.

Terminada a Copa, será hora, então, de prestar atenção em alguns aspectos que não podem ser deixados de lado pelos 145 milhões de eleitores.

O primeiro, talvez o mais relevante, refere-se à participação propriamente dita no processo eleitoral. A omissão, representada tanto pela abstenção quanto pelo voto nulo, é claramente a pior das opções.

Houve, durante os últimos acontecimentos que envolveram a greve dos caminhoneiros, o ressurgimento de preocupação com uma ruptura democrática no país.

Vozes soturnas que pareciam definitivamente caladas voltaram a propor intervenção militar diante do caos e do desgoverno que se espalharam pelo país. Não é essa, seguramente, a solução para os problemas brasileiros. O caminho é a escolha consciente de representantes que efetivamente possam entender os anseios nacionais.

O segundo aspecto diz respeito à escolha dos representantes com base em ideias e programas que precisam ser apresentados. Austeridade na administração pública, honestidade e controle de gastos são premissas fundamentais que se exigem de todos os postulantes.

O que realmente diferencia os candidatos é seu compromisso com o crescimento econômico. Ou seja, a ideia de que o crescimento da produção e do emprego é o melhor remédio para os males da economia e do país.

Reformas políticas, tributárias e previdenciárias são indispensáveis. Assim como a atenção prioritária aos setores de educação, saúde e segurança. O eleitor deve desconfiar, entretanto, de candidatos cujas plataformas se baseiem unicamente em promessas genéricas nessas áreas importantes.

Deve desconfiar daqueles que não se escandalizem com as insensíveis políticas que mantêm os juros absurdamente elevados, cerceiam o consumo, inviabilizam investimentos produtivos e privilegiam os rendimentos financeiros.

Deve desconfiar de pretendentes a cargos públicos que evitem pronunciar a palavra desenvolvimento e não queiram estimular instituições financeiras, como o BNDES, voltadas para apoiar investimentos em setores inovadores e estratégicos, sejam eles públicos ou privados.

Ainda hoje tenta-se explicar as verdadeiras causas da eclosão dos protestos iniciados em junho de 2013, surgidos aparentemente de um aumento de 20 centavos nas tarifas de transporte público. Assim como é difícil explicar por que a greve dos caminhoneiros, mais uma entre tantas ocorridas nos últimos anos, acabou parando o país durante duas semanas e teve o apoio maciço da população, por mais que todos tenham sido prejudicados pelo caos nacional.

Cabe aos sociólogos buscar explicações específicas para esses movimentos. Mas eles certamente decorrem de insatisfações latentes da sociedade com a insensibilidade de governantes para a falta de oportunidades de milhões de brasileiros excluídos do mercado de trabalho.

Ou seja, uma insatisfação típica de países emergentes --antigamente chamados de subdesenvolvidos--, que só pode ser curada a médio prazo com desenvolvimento da economia e criação de empregos.

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