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18/06/2018 | Veja como identificar golpes com falsas ofertas de emprego - O Globo

RIO — Uma jovem desempregada que havia enviado seu currículo a várias empresas e se cadastrado em sites de recrutamento recebeu uma ligação em que diziam que ela fora selecionada para uma vaga na área de marketing, em São Paulo. Animada, fez a viagem.

Ao chegar lá, para a sua surpresa, o recrutador disse estava tudo certo, deu uns papéis para assinar — segundo ele, sobre a contratação — mas avisou que, para finalizar o processo, ela teria que pagar uma taxa de R$ 600.

“Questões burocráticas”, justificou ele, em uma sala comercial aparentemente normal (com secretária, computadores, móveis novos etc) de um prédio da Avenida Paulista.

A jovem estranhou a cobrança da taxa, e o recrutador apelou para uma promessa de salário reforçado: o dobro do que havia sido combinado com ela por telefone. Foi o segundo alerta — e a certeza de que se tratava de picaretagem.

Temendo os golpistas, já que eles tinham todos os seus dados pessoais e profissionais, ela achou melhor não confrontá-los e disse que iria tentar conseguir a soma pedida. Espantou-se ao perceber que um rapaz a perseguiu da porta do prédio onde fizera a “entrevista” até o banco. Diante da situação, ela simulou que estava tentando sacar e telefonou para familiares para contar a situação em que se encontrava. Voltou ao escritório, disse que “adoraria aceitar o emprego, mas não tinha os R$ 600” e foi embora.

Oportunistas sempre vão existir. E, com tantos profissionais ávidos por vagas em um país com mais de 13 milhões de desempregados, muitos desonestos se aproveitam para fazer vítimas por meio de falsas propostas de trabalho.

As formas de abordagem são várias, sendo as mais corriqueiras aquelas em que a suposta empresa entra em contato para dizer que o candidato foi escolhido, mas que, para ser efetivado, precisará fazer um pagamento. A cobrança às vezes é direta, como no caso acima, mas geralmente os estelionatários dizem que o dinheiro é para cobrir custos de um “curso” necessário para a efetivação.

— Em hipótese alguma o candidato deverá arcar com qualquer custo para a realização de testes ou treinamentos para assumir uma vaga. A formação do profissional é de total responsabilidade da empresa contratante — esclarece a professora do curso de formação em RH do IAG — Escola de Negócios da PUC-Rio, Solange Pose.

A PRÁTICA É ABUSIVA

A coordenadora do Procon de São Paulo, Renata Reis, explica que vincular a garantia de contratação ao pagamento de um curso é uma venda enganosa e a empresa que faz isso pode ser autuada.

— É uma prática abusiva. Estas empresas oferecem a vaga para atrair, mas depois vem a cobrança, e com parcelas que costumam ser altas.

Segundo ela, as pessoas são aliciadas por telefone e até mesmo na rua, e é muito comum a abordagem a pessoas de baixa instrução ou muito jovens. Mas nem sempre: há casos em que o estelionatário é alguém que realmente entende do mercado e dos procedimentos de uma determinada área profissional. Fica difícil resistir à sua lábia.

Foi o que aconteceu com um engenheiro civil de Vitória, que recebeu uma proposta para trabalhar para uma grande empresa de óleo e gás em Macaé. Além da conversa que fazia sentido, ainda havia a agravante de o estelionatário ser conhecido de uma pessoa próxima, portanto, acima de qualquer suspeita.

— Não suspeitei porque tinha esta referência de ele ser boa gente. Ele me pediu para enviar o currículo e, dias depois, ligou avisando que estava tudo certo e que o emprego era meu. Logo em seguida, disse que eu precisaria fazer um curso, de R$ 160, mas que ele já tinha pago para agilizar. Então, era só eu depositar para ele. Eu paguei e depois ele sumiu. Cheguei a falar algumas vezes, mas ele sempre vinha com uma desculpa — conta o engenheiro, que também prefere não dizer o nome.

Os dados da quantidade de golpes aplicados na praça com a promessa falsa de emprego são difíceis de ser mensurados: por medo ou falta de conhecimento, nem todo profissional prejudicado denuncia essas manobras desonestas. Mas, segundo a professora dos cursos de Administração e Recursos Humanos da Facha, Maria Cristina da Costa Chagas, por conta da crise econômica, o número vítimas de falsas ofertas de emprego tem crescido vertiginosamente.

Renata explica que, nesses casos, o candidato lesado tem direito a receber de volta tudo o que pagou, inclusive corrigido. Entretanto, como se trata de um crime, muitas vezes o profissional prefere apenas a distância segura.

Solange diz que, ao suspeitar da abordagem, é preciso perguntar quem está ligando, se é a empresa contratante ou a agência de seleção, e após essas informações confirmar logo de início se haverá alguma cobrança. Em caso positivo, é cilada e é melhor encerrar o contato.

— Acredito que o confronto não seja um dos melhores caminhos a serem tomados, porque não se terá nenhuma vantagem com o possível desgaste na discussão. Em caso de problemas, deve-se procurar uma delegacia ou pedir orientações a um advogado — orienta Solange.

A quer receber uma proposta, Maria Cristina sugere pesquisar a agência ou a empresa citada, além de redobrar o cuidado com vagas anunciadas via redes sociais, principalmente se tiverem um tom de urgência ou um número grande de oportunidades.

— Não aceite participar de cursos pagos em troca de mais chances para obter a vaga. Faça uma pesquisa sobre a empresa e verifique se o CNPJ está em dia com o registro. Desconfie de salários muito altos e benefícios muito vantajosos. Não assine nada antes de ler tudo com calma, e sempre peça uma cópia.

DESCONFIE DE QUEM PEDE SEUS DADOS, MAS NÃO SE REVELA

O ditado é velho, mas atual: quando a esmola é muita, o santo desconfia. Para atrair o candidato, empresas desonestas e estelionatários oferecem vagas com salários e benefícios acima da média do mercado, para depois pedir algum pagamento.

— Desconfie quando for contactado por alguém ou por uma empresa que já tenha os seus dados, mas com a qual você nunca falou antes — alerta Renata Reis, do Procon de São Paulo.

Outro golpe comum é pedirem seus dados pessoais para depois os venderem ou usarem de forma criminosa. Nesses casos, a empresa evita ao máximo passar as informações sobre si e baseia seu discurso nas vantagens da vaga. A orientação é não passar estes dados em um primeiro contato.

Solange Pose, do IAG-Rio, explica que pedir o currículo e referências profissionais é perfeitamente comum. Já alguém ligar para o candidato dizendo ser de uma empresa de recrutamento e não revelar o nome da empresa não é normal, assim como pedir dados num contato inicial:

— Nessa etapa, o que importa para o recrutador é entender as experiências do candidato e não as informações documentais. Caso seja solicitado, vale a pena perguntar o motivo. E se a empresa não revelar o nome da contratante, o candidato deverá se posicionar informando que não participará do processo. É bem provável que com isso o recrutador tente convencê-lo a desistir e deixando-o culpado por estar abrindo mão de uma grande oportunidade.

Eduardo Abreu, sócio da Unique Group, diz que em casos de golpe é comum a falsa consultoria de recrutamento entrar em contato informando que tem uma posição e já agendando uma conversa presencial:

— Chegando no local, a “consultoria” diz que tem uma vaga mas que só vai revelar qual é se você pagar um determinado valor ou o seu primeiro salário. Muito cuidado com essas abordagens. Muitas vezes não são empresas idôneas.

Segundo ele, é difícil saber se a vaga é falsa, até porque a entrevista faz parte do processo seletivo. Mas, assim como as outras especialistas, ele ressalta a importância de pesquisar sobre a empresa em questão, apesar da empolgação em torno da possível contratação.

— Em sua grande maioria, as consultorias de recrutamento têm vínculo financeiro somente com as empresas clientes, e não com os candidatos. Existem empresas que cobram para auxiliar o profissional a preparar melhor o currículo e seu processo de networking, mas este seria um trabalho próximo ao de um coach. Agora, empresas que “garantem” a sua recolocação? Não confie. Não há como garantir uma contratação. Isso vai depender da empresa contratante e do desempenho do candidato em uma entrevista. A responsabilidade é do candidato e jamais do intermediador — explica.

A Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) não retornou nosso contato até o fechamento desta edição.

DOCUMENTOS PERMITIDOS

A solicitação de dados pessoais num primeiro contato não é segura. Contudo, as empresas podem solicitar alguns documentos durante o processo.

Dois deles são o CPF e RG. Segundo o Ministério do Trabalho, a empresa intermediadora, que oferece empregados e vagas de emprego, pode pedi-los, assim como comprovante de residência, referências e o currículo profissional, pois os mesmos não são considerados dados confidenciais, sendo necessários para a identificação da pessoa. O que não pode é a empresa usá-los para acessar seus dados, por exemplo, na Receita Federal, que são sigilosos.

Experiência prévia de seis meses e exame admissional (desde que pago pela empresa) também são perfeitamente normais. O exame de sangue também pode ser complementar ao admissional, desde que a função a ser exercida pelo trabalhador e o grau de risco da empresa justifiquem sua exigência.

Exames de gravidez ou HIV, porém, de forma alguma. As empresas são proibidas de exigir teste, exame, perícia, atestado, laudo ou qualquer declaração de soropositivo, esterilização ou gravidez. Isso é discriminatório e ilegal. Não aceite.

Outro requisição proibida é a certidão negativa de inadimplência do profissional, pois a prática viola a intimidade e a vida privada do trabalhador, bem como contrariaria os princípios e as garantias constitucionais. Em resumo, o poder diretivo do empregador não pode se sobrepor aos direitos de proteção à intimidade e à dignidade da pessoa.

 

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