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09/06/2018 | Severa com menos escolarizados, crise aumenta a informalidade - Folha de S. Paulo

Entre o último trimestre de 2014 e o primeiro de 2017, a taxa de desemprego das pessoas sem instrução e das que só têm ensino fundamental foi a que mais aumentou; a retração eliminou vagas na indústria e na construção civil; recuperação lenta é marcada por trabalho informal

Érica Fraga

Encerrada em 2016, a recessão econômica deixou um rastro de alta desocupação e precariedade nas relações de trabalho.

Esse quadro persiste em meio a incertezas políticas e problemas conjunturais e estruturais que limitam a recuperação da economia. Períodos turbulentos como o que o país tem vivido trazem consequências que podem perdurar por anos, às vezes, décadas.

Para fins de registro histórico, a severidade de uma recessão é definida pela sua extensão e pelo tamanho da contração da atividade econômica. Sob os dois ângulos, a recente crise foi uma das mais drásticas do período republicano.

Seus 11 trimestres de duração empataram com o até então mais longo ciclo de retração do Brasil, o de 1989 a 1992. Em termos de magnitude, o recuo de 8,2% do PIB (Produto Interno Bruto) ficou próximo à maior queda histórica, de 8,5%, do início dos anos 1980.

Natural que um abalo de tal magnitude tenha derrubado a forte expansão pela qual passava o mercado de trabalho desde meados da década passada –um processo que havia sido marcado pela geração de vagas para trabalhadores com carteira assinada, mas de baixa qualificação.

A formação deficiente da mão de obra brasileira e o déficit de modernização de setores que lideraram o crescimento, como serviços pouco especializados e construção civil, ajudam a explicar tanto o perfil do período de boom do emprego quanto algumas características da crise que se instalou nos últimos anos.

Embora tenha afetado profissionais de todos os grupos etários e níveis de educação, o aumento do desemprego foi mais agudo, na recessão, para os menos escolarizados. Segundo estudo de economistas ligados ao Insper, esse é um dos aspectos que distinguem a crise recente daquela de finais dos anos 1990, quando os trabalhadores de média qualificação foram os mais atingidos pela desocupação.

Uma outra diferença é a estabilidade de preços, que contribuiu para que a renda ficasse relativamente estável na última recessão. Porém, sem poder usar a corrosão dos salários causada pela inflação como mecanismo de ajuste de custos, as empresas demitiram mais do que no passado.

"Além de a taxa média de desemprego ter subido muito mais na crise recente, seu aumento foi proporcionalmente mais severo entre os menos escolarizados", diz Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e um dos autores da pesquisa.

Entre o último trimestre de 2014 e o primeiro de 2017, a taxa de desemprego relativa às pessoas sem instrução e com apenas ensino fundamental completo aumentou, respectivamente, 123% e 117%. Já entre os profissionais que terminaram o ensino médio e o superior, a alta foi de 108%.

A desestruturação da construção civil -afetada pela recessão econômica e pelo impacto da Operação Lava Jato sobre as empreiteiras- ajudou a compor esse cenário."A crise da construção civil foi um dos aspectos marcantes da última recessão", diz o economista Braulio Borges, da LCA Consultores e do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas).

SETOR DA CONSTRUÇÃO MANTÉM ENXUGAMENTO DE MÃO DE OBRA

Grande empregador de mão de obra menos capacitada, o setor eliminou 1,17 milhão de vagas entre o início de 2015 e abril deste ano, o equivalente a 15% do total de seus ocupados antes do início da derrocada da economia.

No mesmo período, a indústria cortou 1,72 milhão de pessoas, 13% do número de empregados no fim de 2014. Embora esses segmentos tenham liderado as demissões na crise, eles seguem rotas distintas desde o ano passado.

Enquanto a construção segue enxugando mão de obra, a indústria ensaia uma recuperação nas contratações, o que tem contribuído para a tênue e frágil queda do desemprego nos últimos 12 meses.

Depois de recuar para 11,8% no fim de 2017, a taxa de desocupação subiu para 13,1% em março. Esse movimento era previsto devido à tradicional reversão de parte das contratações de fim de ano, mas excedeu as expectativas.

"Houve uma surpresa negativa", diz Bruno Ottoni, pesquisador do iDados e do FGV-Ibre. Ele ressalta que a recuperação lenta do mercado de trabalho é reflexo do ritmo vagaroso da retomada da economia como um todo, que tem provocado revisões nas estimativas de crescimento.

Embora a desocupação tenha voltado a recuar para 12,9% em abril, economistas acreditam que a taxa permanecerá elevada e sujeita a solavancos devido às incertezas políticas e também econômicas – agravadas pela recente paralisação dos caminhoneiros e pela volatilidade no mercado de capitais e na taxa de câmbio.

Além da fraca intensidade, a retomada do emprego tem sido marcada pelo forte avanço da informalidade. A recessão chegou a gerar uma massa de 7,7 milhões de novos desempregados. Mesmo que as demissões tenham peso significativo nesse número, ele também é explicado pela decisão de brasileiros que estavam fora do mercado de procurar emprego, surgindo nas estatísticas como novos desocupados.

Desde o segundo trimestre de 2017, registrou-se um acréscimo de 1,8 milhão de trabalhadores à população ocupada. Mas esse movimento contemplou majoritariamente postos sem carteira de trabalho e a conversão de desempregados em "empreendedores por necessidade", os chamados "por conta própria".

Dados do Ministério do Trabalho indicam lenta retomada do emprego formal nos últimos meses, que ainda não foi captada pela pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo analistas, trata-se de tendência incipiente, que depende de crescimento mais vigoroso para ganhar fôlego.

O quadro de lenta melhora do mercado tem levado a um aumento da desesperança entre os desempregados. A taxa de desalento (medida da desistência da busca por trabalho) atingiu 4,1% no primeiro trimestre deste ano, maior nível da série histórica iniciada em 2012

SAÍDA DA CRISE GLOBAL EM PAÍSES RICOS TAMBÉM FOI LENTA

Não é raro que saídas de recessões profundas, comparáveis à que atingiu o Brasil, mostrem-se lentas, com uma série de reveses, como a alta da informalidade.

"É parecido com o que viveram países desenvolvidos após a grande recessão global. Como eles, nós tivemos uma crise que afetou, ao mesmo tempo, os balanços de empresas e governos", diz Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco.

Nos EUA, em 2012, quatro anos após o baque de 2008, o desemprego ficou em 8%, pouco abaixo do pico de 9,6% atingido em 2010, mas muito acima dos 4,6% de 2007.

No Reino Unido, também em 2012, o número de trabalhadores atuando por conta própria era quase 10% maior do que no início da recessão.

Embora em linhas gerais o roteiro do mercado brasileiro seja semelhante, algumas fragilidades estruturais criam dúvidas sobre o futuro da retomada do emprego, em termos da qualidade e do ritmo. Um desses aspectos é a baixa produtividade da economia –medida da eficiência com que recursos como máquinas e capital humano são utilizados. Nas últimas décadas, esse indicador tem avançado de modo pífio no Brasil.

Estudo feito por Borges, da LCA e do FGV/Ibre, indica que o desempenho brasileiro deixa a desejar mesmo quando comparado apenas ao de nações com características muito similares, com grande dependência da exportação de commodities (excluindo petróleo e derivados) e localização fora do Velho Continente.

Pelos cálculos do economista, a produtividade do trabalho nesses países cresceu 1,6% ao ano, entre 1995 e 2015, o dobro do que se verificou no Brasil no mesmo período. A recessão agravou a situação –e o papel do setor informal na tímida retomada do emprego tende a limitar avanços mais significativos da produtividade.

Estimativa dos economistas Fernando Veloso e Fernando de Holanda Barbosa Filho, ambos do FGV-Ibre, indica que o aumento do emprego em firmas informais e pouco eficientes explica 46% da queda de 3,6% na produtividade do trabalho entre 2014 e 2017.

"No Brasil, o setor formal é quatro vezes mais produtivo do que o informal. A migração para a informalidade ameniza o desemprego, mas reduz o potencial de recuperação", afirma Veloso.

Outra fragilidade é o desequilíbrio das contas do governo. O adiamento de reformas importantes, como a da Previdência, posterga as possibilidades de expansão dos investimentos público e privado em áreas como a infraestrutura que, além de melhorar a produtividade, tende a oferecer quantidade expressiva de empregos.

O Brasil tem fracassado ainda no desafio de melhorar a qualidade da educação básica, um problema que limita investimentos em inovação, alternativa para impulsionar empregos qualificados.

Um dos principais problemas do país, o desemprego estará certamente no radar das promessas de candidatos à presidência e a outros cargos nas eleições deste ano. A má notícia, como se constata, é que não haverá saída fácil e rápida para o problema.

 

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