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06/06/2018 | Sindicatos 'terão de trabalhar muito mais' para sobreviver, diz ministro - Valor Econômico

O ministro do Trabalho, Helton Yomura, afirmou que os sindicatos no Brasil "terão de trabalhar muito mais agora, terão de negociar muito mais" com a reforma trabalhista aprovada pelo governo. 

Ao defender o Brasil no Comitê de Aplicação de Normas, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que colocou o país na lista suja de países suspeitos de violar convenções do trabalho, o ministro foi incisivo. 

Ele acusou a OIT de se tornar "peça de manobra em um jogo em que se combinam motivações político-partidárias e interesses corporativos, como as barulhentas e desrespeitosas manifestações nos últimos dias evidenciam". 

O ministro do Trabalho também questionou o trabalho dos peritos da Comissão de Aplicação de Normas que examinaram o caso brasileiro, dizendo que eles ignoraram completamente os mais diferentes aspectos da legislação brasileira. 

Yomura alvejou os sindicatos, observando que "não são os trabalhadores que estão sendo prejudicados pela modernização, mas alguns sindicatos acostumados a viver à sombra do Estado e sem nenhum compromisso com os trabalhadores que dizem representar". 

O ministro acrescentou que não é difícil saber por que são tantos, 17.500, em evidente discrepância com o resto do mundo. "Com a contribuição compulsória, um sindicato não precisava ser representativo nem defender os interesses dos trabalhadores para existir, já que a renda garantida pelo Estado - e que em 2017 chegou a mais de R$ 4 bilhões - era razão suficiente para sua existência, numa clara distorção dos valores que devem orientar e justificar a organização sindical", afirmou.

Para o ministro, é porque a reforma acaba "com esse estado de coisas, e não pelos pontos levantados pelas centrais nas observações aos peritos, que está sendo atacada", afirmou Yomura. "Os sindicatos terão de trabalhar muito mais agora, terão de negociar muito mais. E empregadores e trabalhadores, como um todo, ganharão muito com isso", prosseguiu  o ministro.

Um representante dos sindicatos, Antonio Lisboa, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), retrucou acusando o governo brasileiro de cometer o "mais grave ataque aos direitos do trabalhadores na história do Brasil". Outros representantes de sindicatos de Bélgica, Espanha, Portugal, Itália e Paquistão foram na mesma linha. 

Do outro lado, representantes de governos de vários países da América Latina, representados no Grulac (o grupo da região), Índia, Rússia e delegados de empregadores de vários países demonstraram surpresa com a pressa da Comissão de Aplicação das Normas em colocar o Brasil na lista suja neste ano, sem dar tempo de resposta ao governo. Segundo eles, normalmente isso só deveria ir ao comitê no ano que vem, depois que o governo brasileiro desse suas explicações.

O exame da situação do Brasil continua hoje na OIT. Na quinta, a Comissão de Aplicação de Normas tomará uma decisão, que pode ser tanto arquivar a reclamação dos sindicatos quanto enviar uma comissão ao Brasil para estudar melhor os efeitos da reforma trabalhista. 

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