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20/04/2018 | Nenhum trabalhador deixado para trás - Valor Econômico

Por Laura Tyson e Lenny Mendonça

Raramente passa uma semana sem uma nova previsão distópica sobre o desemprego em massa motivado pela tecnologia. À medida que a inteligência artificial (IA) e as tecnologias robóticas avançam, estudos estão concluindo que muitas das tarefas que empregam pessoas já podem ser automatizadas.

As estimativas sobre o percentual de empregos automatizáveis variam amplamente, de 14% de todos os empregos nos países da OCDE para quase 50% de todos os empregos nos EUA. De acordo com o McKinsey Global Institute, 9% a 32% da força de trabalho das economias desenvolvidas poderão ser afetados na próxima década.

Em todos os países, as profissões de baixa qualificação que exigem menos educação formal serão as mais suscetíveis à automação, ao passo que os empregos que exigem treinamento profissional e/ou ensino superior estarão menos ameaçados, ao menos por enquanto. De qualquer maneira, precisamos urgentemente começar a proporcionar aos trabalhadores novas capacitações para atender às futuras demandas do mercado de trabalho.

Para isso, empresas, instituições de ensino, organizações não-governamentais e governos estaduais e locais americanos começaram a repensar as políticas de educação e treinamento. Esse trabalho torna-se mais urgente pelo fato de que o governo federal do presidente Donald Trump está esquivando-se de suas responsabilidades nessa área.

Enfrentar o desafio de capacitar os trabalhadores exigirá uma reinvenção épica de aprendizado e treinamento da força de trabalho. A reação precisa ocorrer na dimensão do estabelecimento da educação secundária universal há um século, ou do movimento "faculdade para todos" que começou nos anos 60.

Essa não é a primeira vez em que os EUA têm de se adaptar a grandes revoluções no mercado de trabalho. Mais de 150 anos atrás, a Lei Morrill, de 1862, estabeleceu e financiou as "land-grant universities" (universidades financiadas pela venda de terras federais doadas aos Estados) para oferecer aos americanos formação em agricultura, ciência, engenharia e outros campos relevantes para a Revolução Industrial. O sistema criado evoluiu, constituindo o maior sistema de educação pós-secundária do mundo, abrangendo mais de 100 faculdades e universidades.

Economistas preveem que a mudança tecnológica acabará por criar tantos empregos quanto destruirá. Mas haverá obstáculos significativos ao longo do caminho. Embora cerca de um terço dos adultos dos EUA tenha um diploma universitário de quatro anos - a maior proporção jamais registrada -, igual porção não tem mais do que um diploma de ensino médio. Para os trabalhadores em todos os níveis de ensino, a aquisição de habilidades adicionais exigirá menos "tempo sentado" nas salas de aula tradicionais e mais formas dinâmicas de treinamento.

Enfrentar o desafio de capacitar os trabalhadores exigirá uma reinvenção épica de aprendizado e treinamento da força de trabalho. A reação precisa ocorrer na dimensão do estabelecimento da educação secundária universal há um século

Um bom exemplo desse treinamento é oferecido pela Skillful, uma iniciativa sem fins lucrativos bancada pela Markle Foundation, Microsoft, LinkedIn e pelo Estado do Colorado. A Skillful está executando um projeto piloto no Colorado para ajudar os trabalhadores sem formação universitária a colocar suas habilidades no mercado. A ideia é focar os esforços nos candidatos a emprego, nos empregadores e em capacitação - e não em diplomas.

Para a CEO da Skillful, Beth Cobert, o objetivo é fazer com que os empregadores comecem a dar valor à capacitação "concreta", como domínio de carpintaria ou web design, e capacitação "virtual", em comunicação ou liderança, mesmo que tais habilidades não tenham sido adquiridas em um ambiente formal, e reconhecer o potencial dos trabalhadores para desenvolvimento futuro.

De acordo com a OCDE, trabalhadores sem diploma universitário têm menor probabilidade de participar de qualquer tipo de treinamento. É por isso que a Skillful está aproveitando dados geográficos e setoriais para ajudar os trabalhadores a descobrir habilidades comercializáveis que já possuem.

Além disso, a Skillful e o governador do Colorado, John Hickenlooper, lançaram um programa intensivo para treinar orientadores de carreiras, que então ajudarão os trabalhadores individuais a identificar as habilidades e o treinamento de que precisam para os trabalhos que desejam.

Neste momento, não há estratégias certas ou erradas, e é animador ver que muitos Estados estão experimentando diferentes iniciativas e compartilhando as lições aprendidas. Eles estão mostrando que o federalismo progressista pode funcionar mesmo em estados "vermelhos" (republicanos).

Por exemplo, a Carolina do Norte criou um programa de orientação para apoiar o treinamento de adultos com baixa qualificação e jovens fora da escola. Em Ohio, os graduados do ensino médio podem obter uma certificação rigorosa de

"Disponibilidade Profissional" abrangendo 15 áreas de habilidades. Montana introduziu recentemente um programa de aprendizagem para manufatura. E a iniciativa "NextLevel", de Indiana, oferece subsídios a empregadores para treinar trabalhadores em ocupações de "qualificação média" (aqueles que exigem mais do que um diploma de ensino médio, porém menos do que um diploma associado de dois anos).

Vinte anos atrás, governadores de 19 Estados do oeste dos EUA criaram a Western Governors University para ensinar ondemand competências via internet. Hoje, quase 100 mil alunos estão matriculados e o governo da Califórnia também está propondo uma faculdade comunitária online para atender a "trabalhadores à deriva".

Tendo em vista estarem em jogo as vidas de milhões de trabalhadores, não há alternativa a tais iniciativas. Os formuladores de políticas precisam seguir o exemplo daqueles que já estão fortalecendo programas de educação e aprendizado para adultos, para que nenhum trabalhador seja deixado para trás pela força motriz da automação. (Tradução de Sergio Blum)

Laura Tyson, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente dos EUA, é professora da Haas School of Business da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e conselheira sênior do Rock Creek Group

Lenny Mendonça, presidente da New America, é sócio sênior emérito na McKinsey & Company.

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