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16/04/2018 | Obstáculos e desafios: mulheres na liderança – O Estado de S.Paulo

Mulheres líderes: este é um assunto que está cada vez sendo mais discutido e apoiado na nossa atualidade. Grupos como Mulheres do Brasil liderado por Luiza Trajano, Ellevate Network fundada por Janet Hanson da Goldman Sachs em 1997 e hoje com mais de 40 chapters espalhados pelo mundo, Rede Mulher Empreendedora (RME) que foi idealizada por Ana Lúcia Fontes durante o “Programa 10 mil Mulheres da FGV” e hoje conta com mais de 300 mil empreendedoras cadastradas, reforçam a importância, o comprometimento e a seriedade com que as mulheres devem ser olhadas.

 

Como coach, observo no meu dia-a-dia de trabalho as diferenças gritantes entre clientes homens e mulheres em posição de liderança. Os desafios, os obstáculos, as questões pessoais e profissionais permeiam nos mesmos temas, mas sempre são diferentes. A mulher normalmente tem um menor apoio da família e da sociedade para encarar uma posição que exija dela mais tempo e mais comprometimento, e infelizmente as mulheres além de sentirem-se mais inseguras e despreparadas para assumirem estes cargos, entram em conflito com quem elas são na feminilidade delas e quem o cargo, empresa ou sociedade exige que elas sejam.

 

No texto de hoje, eu fui buscar inspiração e informação dentro da nossa realidade de mulher vivida hoje! A Aline Pompermayer fala pra gente sobre desafios, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e como é ocupar um cargo de liderança nos dias de hoje. 

 

Quais são para você, os maiores obstáculos e desafios que as mulheres encontram hoje ocupando cargos de liderança?

 

Acredito que a visão da liderança feminina é multifacetada, que além da entrega em si que o cargo exige, existe um pensar na forma e na sustentabilidade desta entrega. Pois é uma liderança que vai além do racional, tem emoção envolvida, tem intuição, tem senso de maternidade em relação ao cuidar e ao educar, tem dinamismo na tratativa de várias questões ao mesmo tempo. E o resultado disso é um envolvimento maior.

 

E quando adicionamos a este panorama obstáculos como a desigualdade salarial de gêneros, o assédio moral e sexual, as cobranças sociais para com as mulheres em relação a estética, a maternidade e ao casamento, o “modo automático” de relacionarmos homens como líderes, e de pouco questionarmos as mulheres que não buscam a liderança; para mim, o nosso desafio como líderes está em não deixarmos de ser as mulheres que somos apesar dos obstáculos.

 

Como você lida com estes desafios?

 

Buscando o desenvolvimento pessoal além do profissional. E faço isso através de cursos, palestras, leituras, buscando referências em exemplos femininos de liderança e também através de coaching, uma forma “sob medida/personalizada” de me ajudar com meus desafios. Acredito que quando melhoramos como indivíduos, nos tornamos melhores líderes também.

 

O que te motiva a ocupar um cargo deste?

 

As oportunidades que um cargo de liderança proporciona, como a oportunidade de mudança, de inovação e de desenvolvimento das atividades, dos processos, dos objetivos e propósitos da empresa, e também das pessoas envolvidas. 

 

Como você se prepara ou se preparou para ocupar este cargo?

 

Minha formação é em administração de empresas, um curso com diversas matérias de recursos humanos, gestão e liderança. Também tive experiências profissionais sendo liderada e liderando pessoas e projetos. Profissionalmente me preparei assim, com teoria e prática, afinal não é isso que exigem nos nossos currículos? Mas hoje tenho clareza que além disso, como líder preciso trabalhar meu desenvolvimento pessoal.

 

Como você equilibra sua vida pessoal com a demanda de um cargo de liderança?

 

Não equilibro, mas sigo tentando!

 

Algumas responsabilidades da liderança são difíceis de serem deixadas na empresa no final do dia, elas acabam acompanhando o líder durante o jantar, no final de semana e na tomada de decisões pessoais também.

 

Ter cada vez mais clareza dos meus objetivos pessoais e profissionais, para conseguir dosar e priorizar minhas “energias” com cada um deles, ajuda neste equilíbrio. A tecnologia também tem sido muito importante, pois traz liberdade para realizarmos atividades profissionais e pessoais em qualquer lugar e a qualquer momento.

 

O que você gostaria de dizer para as mulheres que tem em sua visão de carreira a ocupação de cargo de liderança?

 

– Se preparem profissionalmente e pessoalmente para a liderança;

 

– Um bom líder nunca faz tudo sozinho, então busquem ajuda e recursos para se prepararem;

 

– A liderança feminina é diferente da masculina, não deixem de ser diferentes;

 

– Acreditem que como líder cada mulher pode contribuir para mudar os obstáculos que hoje enfrentamos;

 

– Inspirem outras mulheres a serem líderes.

 

Algo que não foi perguntado, que gostaria de acrescentar?

 

Para aquelas que não buscaram e não queriam um cargo de liderança, mas são líderes, aproveitem esta oportunidade para realizar o que gostariam que fosse diferente quando estavam na posição de lideradas; tenham empatia e coragem para fazer a diferença enquanto líderes.

 

* Livia Zillo empreendedora, sócia da Ikigai com mais duas mulheres potências, enérgica e comprometida com o “esclarecer”.

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