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07/04/2018 | Os impactos da exclusão dos jovens do mercado de trabalho - O Estado de S. Paulo

No último artigo, em 18/3, falava sobre os dados preocupantes de dois relatórios do Banco Mundial, relativos as jovens, e aos jovens brasileiros em particular.

Pessoas ficaram chocadas com a crueza de alguns pontos da análise do banco, e com algumas recomendações que advieram da análise. A crítica contundente do banco aos equívocos de nossas políticas de inclusão, que acabam por excluir os jovens, está entre um dos focos de revolta dessas pessoas.

Ficou na moda se falar em “ageísmo”, conceito que remete ao preconceito com relação à idade. Porém, ele tem sido usado, com muito mais frequência, com relação aos idosos.

Mas, de alguma forma, quando se privilegia os idosos, o ageísmo se volta contra os mais jovens. A questão da produtividade que o relatório diz estar se esvaindo não vai ser resolvida no Brasil, no curto prazo.

O relatório mostra que a produtividade do trabalho vem aumentando em cerca de 0,7% ao ano desde meados da década de 1990, porém o crescimento da Produtividade Total dos Fatores (PTF) está em declínio.

Por outro lado, o banco entende que o aumento da renda no Brasil se baseou, predominantemente, no aumento da taxa de emprego, com a entrada de um grande contingente de jovens no mercado de trabalho pela primeira vez, na década de 1990. Com o rápido envelhecimento da população, essa fonte de crescimento deve se esgotar em breve.

Há no relatório fortes recomendações no sentido de que o sistema de capacitação e colocação profissional do Brasil seja significativamente fortalecido. Desta forma, melhorias na qualidade do sistema educacional brasileiro são componentes fundamentais para a agenda da produtividade.

E, neste sentido, se colocam muitas expectativas nos resultados positivos da reforma do ensino médio. A baixa qualidade da educação ou mesmo a percepção limitada de sua relevância pode levar os jovens a perder o interesse e a investir pouco em sua formação, traduzindo-se em uma falta de engajamento da juventude.

O resultado disso é o aumento dos chamados “nem, nem”, grupo que não estuda nem exerce atividade renumerada e que saltou de 22,7% em 2014 para 25,8% em 2017, do total na faixa entre 16 e 29 anos, segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais 2017, do IBGE.

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