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01/03/2018 | Pausa já esperada na recuperação do emprego - O Estado de S.Paulo

O aumento do desemprego no trimestre compreendido entre novembro de 2017 e janeiro de 2018 foi efetivo, mas seria errado supor que houve uma forte deterioração do mercado de trabalho. Cabe entender melhor os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando para uma taxa de desemprego de 12,2%, comparada à de 11,8% no trimestre móvel anterior (outubro a dezembro de 2017) e superando as previsões dos especialistas.

Um aspecto importante é a base de comparação, pois os meses de dezembro e de janeiro são fracos para o mercado de mão de obra. Por isso, quando os números são submetidos a ajustes sazonais, constata-se que a queda foi menor.

Outro ponto relevante é que a população ocupada aumentou 2,1% comparativamente ao trimestre novembro de 2016/janeiro de 2017 - ou seja, persiste a tendência positiva de longo prazo, de abertura de postos de trabalho. Além disso, há estabilidade na maioria dos números da última Pnad Contínua e ocorreu um leve aumento do rendimento real habitual.

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, deu ênfase à redução do ritmo de extinção de vagas com carteira assinada no País, mas admitiu que é longo o processo de retomada do mercado formal de trabalho.

O número de pessoas ocupadas atingiu 91,7 milhões e aumentou 1,8 milhão, comparativamente a um ano atrás. O avanço veio, em especial, dos empregados sem carteira assinada (mais 581 mil pessoas) e dos trabalhadores por conta própria (mais 986 mil pessoas). A população desocupada ainda é de 12,7 milhões de pessoas.

Pelo critério de variação anual, o salário médio real aumentou 1,2% e a massa salarial real cresceu 3,6%. Na comparação entre o último trimestre móvel e o trimestre anterior, houve altas reais de 0,2% no salário e de 0,7% na massa salarial. Os analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) dão ênfase ao crescimento da massa de rendimentos para preservar a recuperação do consumo das famílias, que permitiu ao País sair da recessão em 2017.

Não basta, no entanto, reduzir inflação e juros. Isso ajuda muito, mas o desemprego alto ainda afeta a confiança das pessoas no mercado de trabalho e a disposição de consumir.

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