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04/01/2018 | Natal ajuda confiança do empresário a subir - Valor Econômico

Por Alessandra Saraiva

Impulsionada pelas vendas de fim de ano, a confiança do empresário atingiu em dezembro de 2017 maior patamar em dois anos, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) subiu 1,4% entre novembro e dezembro, para 109,2 pontos, nível mais elevado desde novembro de 2014 (110 pontos).

A melhora no poder de compra do consumidor explica o resultado, segundo o economista da CNC, Bruno Fernandes, que não descarta continuidade da melhora do indicador. Os indícios até o momento são de manutenção das condições que levaram a um contexto favorável ao consumo, como juros mais baixos, crédito com menor custo e inflação menos pressionada, além de sinais de melhora no mercado de trabalho. A CNC estima que o Natal tenha alcançado R$ 34,9 bilhões em vendas, 5,2% mais que no Natal de 2016.

No Icec de dezembro, os três tópicos usados para cálculo do indicador apresentaram aumentos em todas as comparações. O indicador de condições atuais subiu 1,7% na variação mensal, para 79,5 pontos, com expansão de 33,3% ante dezembro de 2016. O de expectativas aumentou 1% no mensal e 1,8% ante dezembro de 2016, para 152 pontos. Já o indicador de investimentos, com elevação de 1,7% entre novembro e dezembro, foi 8,6% superior ao de dezembro de 2016.

No caso de estoques do varejo, o especialista admitiu que houve leve aumento de empresários insatisfeitos com o nível de estocagem, entre novembro e dezembro de 2017. No Icec, a parcela de empresários que informaram estoques acima do desejado no período subiu de 27,4% para 27,9%. No entanto, o percentual seguiu abaixo de dezembro de 2016 (29,3%), sendo menor patamar para meses de dezembro desde 2014 (23,8%). "Foi um aumento pontual, mais um ajuste. Se olharmos as outras informações da pesquisa, podemos ver que o cenário é bem positivo para a confiança do comércio", notou ele.

O técnico porém fez uma ressalva. O acirramento da corrida presidencial em 2018 pode ser um fator de turbulência mais no já tumultuado ambiente político - o que pode interferir no humor do varejista, com impacto na confiança. "Podemos ter alguma volatilidade [na confiança] devido à eleição presidencial, mas mesmo com incertezas à frente, alguns fundamentos já estão concretizados. Não esperamos inflação acima de 6% ou de 7% este ano; e o custo do crédito parece menor", afirmou, acrescentando que, em sua análise, o cenário favorável atual, com boas condições de poder de compra do consumidor, tem todas as condições para permanecer em 2018, com reflexo positivo no comércio.

A CNC manteve em 3,7% estimativa de crescimento do volume de vendas do comércio varejista ampliado para 2017. Caso confirmado, seria primeiro ano de crescimento anual de vendas do setor desde 2013. Em 2016, as vendas no varejo ampliado caíram 8,7%, segundo a entidade.

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