• CONTRIBUIÇÃO PATRONAL 2018
  • FENASERHTT E SINDEPRESTEM comemoram mudança na cobrança de PIS e COFINS no Trabalho Temporário
  • Contratação de empresa de Trabalho Temporário gera crédito de PIS E COFINS - Posicionamento Receita Federal
  • REFORMA TRABALHISTA – LEI N. 13.467/17 - Com a Reforma Trabalhista em vigor, atenção para estas orientações
  • Jornal Fenaserhtt
  • comunicado_vander
  • Wec50anos
  • DECISÃO FAVORÁVEL : FENASERHTT CONSEGUE EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO DE PIS/COFINS
  • 2910x450 Banner Bombeiro Civil Cartilha Sindeprestem
  • Sindeprestem Institucional
  • 26anos Novo

03/11/2017 | 'Ocupação informal veio em velocidade surpreendente' - Valor Econômico

A recuperação da atividade econômica vai ganhar força no próximo ano e acelerar a geração de postos de trabalho no país, levando a taxa de desemprego a 11,6% em dezembro de 2018, avalia o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Instituto de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Nos três meses até setembro, a desocupação ficou em 12,4%. Ele ressalta que a informalidade, responsável pela queda de desemprego neste início de ano em velocidade "surpreendente", voltará a encolher em 2018, com a geração de mais postos formais.

A preocupação do economista é com o desemprego "estrutural", formado por quase três milhões de brasileiros desocupados há dois anos ou mais. Para ele, a reforma trabalhista vai contribuir para a redução do desemprego, mas pode aumentar a desigualdade no país, ao incorporar pessoas de menor renda ao mercado. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: A recuperação do emprego realmente surpreendeu?

Fernando de Holanda Barbosa Filho: Nossa previsão era que o emprego chegasse ao fundo do poço entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. E de fato chegou. O que surpreende agora é a velocidade da reversão, que está muito rápida. A população empregada aumentou em 1,3 milhão de pessoas no trimestre de junho a agosto, frente aos três meses anteriores. O emprego reage à recuperação da atividade. A questão é que, em geral, existe um "delay" entre a atividade e o emprego. Da mesma forma que a crise começou e o desemprego demorou a crescer, esperava-se o inverso na volta. O governo fez reformas importantes para ganho de produtividade. Isso pode ser um dos motivos da surpresa. 

Valor: O emprego cresce pela informalidade. O trabalho informal vai ser um legado da crise?

Holanda: Não surpreende uma recuperação pela informalidade, porque é onde o mercado de trabalho é mais flexível mesmo. O emprego informal vai voltar a cair quando a economia crescer 2% a 3%, no ano que vem. É quando vamos começar a ver aumento mais forte do emprego com carteira. Além disso, a informalidade está negativamente relacionada à escolaridade, por exemplo. E a escolaridade média do brasileiro está crescendo. Você tem a nota fiscal eletrônica e outras melhorias institucionais que contribuíram ao longo do tempo para a redução da informalidade no Brasil. Esse sistema não desmoronou. O que existe é uma crise de proporções colossais que leva as pessoas a se virarem como podem. Contratar e demitir formalmente é muito caro. Então, é natural, neste momento de recuperação, que tenhamos aumento da informalidade. O que está acontecendo é o que chamo de 'taxless recovery'. O governo precisa de imposto que nem um louco, mas o emprego que está em recuperação é aquele que não recolhe.

Valor: Qual a dimensão dessa 'taxless recovery' para governo?

Holanda: Uma parcela importante da arrecadação da Receita Federal vem do emprego formal. Se esse emprego formal não está voltando, a parte da carga tributária que está relacionada ao emprego não está crescendo. A Receita arrecadou R$ 415 bilhões sobre folha em 2014. Em 2016, foram R$ 379 bilhões. Esse valor equivale a 28% da arrecadação total, de R$ 1,31 trilhão. Com a recuperação do emprego, você esperaria uma melhora disso. 

Valor: Qual o cenário para o mercado de trabalho?

Holanda: O Ibre prevê a taxa de desemprego em 12% em dezembro deste ano. Na média de 2017, a taxa será de 12,8%. A taxa seguirá em queda e chegará a 11,6% em dezembro do ano que vem. Quando a economia voltar a crescer mais fortemente, as firmas formais vão começar a perder o medo de contratar. Se o PIB continuar surpreendendo positivamente, essa taxa pode ficar ainda menor. Claro que também existe o risco de alguma hecatombe política que possa afetar as projeções.

Valor: Mais pessoas devem se animar a procurar emprego com a recuperação. Isso pode piorar a taxa de desemprego?

Holanda: Isso já está acontecendo. A força de trabalho está voltando a crescer. Estamos falando daquele sujeito que vê o vizinho conseguindo emprego e vai buscar também. É um bom sinal. Se você fixasse a força de trabalho no nível do ano passado, você teria 2 milhões de pessoas a menos no mercado de trabalho. Como a população empregada cresceu em mais de um milhão de pessoas, a taxa de desemprego teria caído ainda mais rapidamente. É normal que isso aconteça porque muita gente desistiu de procurar emprego no passado, quando a economia estava muito mal e destruindo emprego.

Valor: E quando vamos recuperar o patamar de emprego de antes da crise?

Holanda: Não vejo isso acontecendo até 2019. Na verdade, vai demorar bastante. Em dezembro de 2014, a taxa de desemprego estava em 6,5%. Você tinha pleno emprego no país, com salários reais crescendo aceleradamente. Eu tenho a impressão de que era, inclusive, algo artificial. Você já tinha pleno emprego e o governo ainda desonerou a folha de pagamento. O discurso da presidente na época era que as firmas estavam muito apertadas e que desonerar a folha era dar um alívio. Então, não vejo esse patamar de emprego voltando.

Valor: Quem será o último a recuperar o emprego nessa crise?

Holanda: Setorialmente, a construção civil passa por momento difícil. Além do imbróglio da Lava-Jato, existe excesso de investimento em algumas áreas e o problema do mercado imobiliário. É um setor que tende a se recuperar pelo menos de forma mais lenta. Há estoque de apartamentos, dificuldade do setor público de contratar obras. Mas, conjunturalmente, o que me preocupa são as quase 3 milhões de pessoas que estão desempregados há mais de dois anos. Esse será o último a conseguir emprego, e foi o primeiro a perdê-lo. De maneira geral, o primeiro a ser demitido é o menos produtivo. Ele agora está fora do mercado de trabalho, possivelmente não está se atualizando profissionalmente e perdeu a experiência que tinha no posto. Quando a economia estava a pleno emprego, até os trabalhadores de baixa produtividade conseguiam emprego. Agora, porém, é alguém difícil de se reempregar.

Valor: Como a reforma trabalhista pode contribuir?

Holanda: A reforma trabalhista é uma vantagem. Ela propicia contratos distintos para o empregador e pode reduzir o custo de litigação. Por exemplo, a reforma tem vários 'nãos'. 'Não pode', 'não incorpora'. Isso, na prática, reduz a margem de interpretação do magistrado trabalhista. Pessoas que não eram contratadas, porque o empregador não sabia quanto elas iam custar, por causa do risco legal trabalhista, talvez sejam agora contratadas. Você tem agora o contrato temporário de trabalho, o contrato intermitente, você normatizou o trabalho remoto. São várias melhorias que devem estimular a contratação ao longo do tempo. Imagine alguém que está há cinco anos sem trabalhar. Não está treinado, habituado e não tem a disciplina para trabalhar. Com pequenos empregos, parciais, você conseguiria incorporar gradualmente essas pessoas.

Valor: Este é o lado positivo da reforma trabalhista. E o negativo?

Holanda: Existe o risco de aumento da desigualdade salarial. Na Alemanha, a agenda de reformas lançada em 2003 reduziu o desemprego, mas a desigualdade salarial aumentou. E por que ela aumentou? Porque pessoas excluídas do mercado de trabalho conseguiram emprego depois da reforma. Ou seja, a reforma vai aumentar a desigualdade ao incorporar as pessoas de baixa remuneração. Na Alemanha, a queda da taxa do desemprego estrutural foi de algo como 3%. A desigualdade cresceu, mas nada exorbitante. Não vejo isso como algo ruim. Adicionar ao mercado de trabalho pessoas que estavam excluídas é um motivo bom.

Valor: O debate sobre a desigualdade de renda está sendo retomado e há quem diga que não houve redução, o que antes parecia um ponto pacificado. Afinal, houve ou não?

Holanda: A desigualdade era medida só pelo mercado de trabalho. Agora, passou-se a adicionar o ganho de capital. Num país que tem os juros elevados como o nosso, quem tem renda de capital viu o dinheiro se valorizar bastante. Mas, se o pobre está ganhando mais, não quero saber o que está acontecendo com o rico. Pobreza é de primeira ordem. O que precisamos é de ganho salarial, com ganho de produtividade. Se não conseguirmos gerar produtividade para gerar esse ganho salarial vai ficar difícil. E acho que as reformas no mercado de trabalho vem nesse sentido.

Valor: De que forma?

Holanda: No contrato de trabalho anterior, quando havia crise, a única maneira da firma se ajustar era mandar o trabalhador embora. Foi o caso da Embraer. No auge da crise, quando uma série de encomendas foi cancelada, a empresa fechou acordo com os empregados para redução de salários proporcionais, mantendo todos empregados, com o compromisso de voltar o salário quando as encomendas retornassem. O tribunal de São Paulo cancelou o acordo. Vários advogados falaram na época que o acordo era legal, mas sujeito a interpretação. Então, as empresas não tinham motivo para investir recursos em treinamento de funcionários. Isso muda com a flexibilização trazida pela reforma trabalhista.

 

Coffee News

Home Logo01
Home Logo02
Home Logo03
Home Logo04
Catho
Up Plan Logo 02