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31/10/2017 | Quem discorda de negociação individual deve seguir sindicato, diz Meirelles – Folha de S.Paulo

Quem não quiser negociar individualmente seu contrato de trabalho deve seguir o acordo firmado entre o seu sindicato e a empresa, disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, nesta segunda-feira (30).

 

"O método negocial [do trabalhador com empregador] é voluntário. Quem não concorda, deve seguir seu sindicato", afirmou em almoço com empresários.

 

Ele disse que a lei trabalhista brasileira não foi pensada para o mundo atual, e que a internet e a "logística avançada" mudaram a forma que patrões se relacionam com empregados.

 

Questionado sobre a resistência de juízes contra a reforma trabalhista, Meirelles disse que "a lei existe para ser cumprida" e que temos que eliminar o conceito de "lei que não pega".

 

Meirelles negou novamente que considere uma candidatura para a Presidência em 2018, mas disse que "esse negócio de vice é até interessante."

 

Questionado, ele esclareceu que estava brincando, e que negou ser candidato a vice em 2010, quando foi convidado por Lula (PT), e em 2014, por Aécio Neves (PSDB).

 

"No momento, sou candidato a fazer um bom trabalho no ministério da Fazenda."

 

AJUSTE FISCAL

 

Meirelles afirmou que a previsão de crescimento do PIB para 2018 mais conservadora é de 2%, e que espera que a reforma da Previdência seja aprovada ainda neste ano, para que a agenda eleitoral não atrapalhe a votação.

 

Logo depois, em palestra na Fecomercio-SP, entidade que representa comerciários, Meirelles disse que é "muito provável" que a taxa de crescimento fique acima de 2,5% se for aprovada a reforma da Previdência.

 

O ministro afirmou, ainda, que uma futura diminuição da carga tributária das empresas depende da aprovação da reforma da Previdência.

 

"Para diminuir a carga tributária, que são receitas, temos que diminuir as despesas, como a Previdência, e mudar direitos na Constituição", afirmou Meirelles.

 

"Existe um movimento forte contra o ajuste fiscal, o que é justo, é compreensível. Nós aqui nessa sala [empresários] nos vemos primeiro como contribuintes e depois como usuários de serviços públicos. Outros não enxergam assim, não sabem o custo dos impostos."

 

Ele brincou, também, dizendo que "aceita apoio" dos empresários para aumentar o Imposto de Renda de Pessoa Física.

 

Mais tarde nesta segunda, o ministro deve se encontrar com o presidente Temer para definir medidas para o Orçamento deste ano.

 

Meirelles afirmou ainda que haverá uma prorrogação do prazo para aderir ao Refis.

 

O prazo atual é esta terça-feira (31). A perspectiva de arrecadação é de até R$ 7 bilhões. "Mas o melhor é que as empresas apresentem já sua adesão", disse o ministro.

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