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25/09/2017 | ‘Não arriscar é mais arriscado’, diz empresário – O Estado de S.Paulo

A feira de intercâmbio EduExpo termina neste domingo em São Paulo. O esforço gasto por Julio Ronchetti para consolidar esse empreendimento não foi pequeno. Enfrentou o estouro da bolha da internet, os reflexos do atentado às Torres Gêmeas em Nova York e a crise de 2008, um ano depois de a empresa começar a sair do vermelho.

 

Quando a situação estava melhor, veio a crise no Brasil, a partir de 2014. Ainda assim, conseguiu se expandir: tornou-se a principal do Brasil em intercâmbio e está presente em 40 países. E a previsão é de faturar US$ 9 milhões neste ano.

 

Para chegar a este ponto, insistiu no empreendimento, mesmo que isso significasse ficar no vermelho, investiu em tecnologia e criou uma empresa nos EUA, a FPPEdu Media.

Ronchetti entrou no mundo dos negócios depois de passar três anos em Londres (1987/88/89), voltar ao Brasil, estudar marketing e dar aulas de inglês. Montou sua própria escola para ensinar o idioma.

 

Posteriormente, uma agência dentro da escola para levar alunos para o exterior. “Em 1997, com a internet engatinhando, decidi abrir um site para quem queria estudar fora, era algo que não existia. Mas era muito difícil obter publicidade. No ano 2000, houve a bolha da internet e todas as esperanças de obter investimento foram por água abaixo”, lembra.

 

Roncheti decidiu continuar, apesar das dificuldades. A alternativa. “Aí (após a bolha), eu me vi em uma situação bem difícil, bem difícil mesmo. Pensei que deveria vender o negócio, não tinha mais como andar. Mas também pensei em fazer uma feira, sair do virtual, que era o nosso DNA, e fazer algo mais tradicional. Decidi fazer a feira. Ficou marcada para quatro dias depois do 11 de setembro.”

 

O atentado. “Lembro que os aeroportos ficaram fechados, as universidades que viriam para o Brasil não podiam sair (dos EUA). A feira foi uma catástrofe. Havíamos escolhido fazer seis cidades, mas não éramos uma empresa de eventos, nunca tínhamos feito eventos e não tínhamos dinheiro para divulgar. A feira foi bem fraca, uma catástrofe geral.”

 

Encruzilhada. “Pensamos o que fazer: abandonamos ou tentamos novamente? Decidimos tentar de novo. No ano seguinte, muitos expositores voltaram. Assim, a segunda rodada de feiras, melhorou. E fomos aprendendo. Aí começamos a fazer evento a cada semestre e a nossa diferença em relação a outras empresas da época é que como tínhamos vindo da internet, a usamos para divulgar os eventos de forma mais barata.”

 

Internet. “Como tínhamos pouco recursos, a necessidade nos tornamos mais criativos e criamos, em 2003, uma maneira de “trackear” nossos resultados. Para se ter uma ideia, o Google só veio com isso em 2006. Fazíamos isso porque precisávamos saber se os poucos recursos usados estavam gerando resultados.”

 

Em movimento. “Assim, fomos fazendo feiras no Brasil, Argentina, Colômbia, México, Peru, Equador. Entramos na Europa em 2007, dali para Indonésia, Vietnã, Tailândia, Oriente Médio, fomos nos aventurando e crescendo. Hoje, somos a maior feira. Organizamos todos os anos as feiras dos governos do Canadá, Austrália, Nova Zelândia.”

 

O trabalho. “Nosso trabalho consiste em divulgar a feira, trazer estudantes para que conversem diretamente com as universidades. Nós não vendemos cursos, somos uma organizadora de eventos.”

Tecnologia e lançamentos. “Sempre utilizamos tecnologia e inovação. Lançamos a primeira rede social de intercâmbio, lançamos o conceito de feira inteligente. Agora, estamos lançando uma feira virtual. Ela em si não é novidade. A novidade é que se trata de uma plataforma específica para intercâmbio. Nessa feira, o estudante poderá se conectar de qualquer cidade onde estiver e entrar em contato com os expositores que estão nos EUA. Vamos fazer esse tipo de evento na Índia e outros lugares.”

 

No vermelho. “Eu lembro que até 2006, estávamos no vermelho. As contas eram, por exemplo, 10, e o dinheiro que entrava era 6 ou 7. Só de 2006 para 2007, as coisas ficaram no zero a zero. A partir daí, fomos começando a ficar com um pouco mais de folga. E nunca mais ficamos no vermelho.”

Sem medo. “Não pode ter medo. São seis meses, um ano, dois anos, três anos, quatro anos, vai indo. Se você não acreditar que pode dar certo, você para no meio do caminho. Tem de acreditar.”

 

Riscos. “Lembro de quando a situação estava bem ruim, em reunião na empresa, eu falava que tínhamos de fazer mais naquela cidade e vinham comentários ‘não, é perigoso; por que arriscar tanto?’. Eu dizia: ‘não arriscar é mais arriscado’. Tinha de tentar crescer, aumentar para não morrer.

 

Nos EUA. A empresa principal hoje está nos EUA, é a FPPEdu Media, criada em 2007/2008. Mudamos para lá porque era mais simples em termos de impostos. E também, veja o problema: se você opera pelo mundo inteiro, o dinheiro vem para o Brasil e é transformado em real, só que temos custos em dólar.

 

Então, se o real sofre desvalorização, como vamos pagar as contas em outros lugares? Precisamos da empresa fora para termos reserva em dólar. A empresa dos EUA contrata a do Brasil para fazer os eventos aqui.

 

Crise. “Temos eventos grandes em outros países, mas o Brasil é um dos principais. E o faturamento aqui caiu 50% se comparar 2014 e 2016. Agora, em 2017, estamos mantendo o desempenho do ano passado. Mas é uma perda grande. Temos compensado com a América Latina, com crescimento na Colômbia e México. Eu espero que o Brasil volte a ser, em 2020, o que era para nós em 2014.

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