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26/09/2017 | Desemprego alimenta ocupação em São Bernardo - Valor Econômico

Debaixo do sol forte, Nicholas Leone desfaz com um alicate a estrutura de madeira e arame de sua barraca para construir um abrigo maior. Um novo teto de lona, mais reforçado, vai receber sua esposa e as duas filhas. Desempregado há dois anos, o jovem de 29 anos diz não ter mais como pagar os R$ 450 do aluguel da casa com dois cômodos onde vive com a família, em São Bernardo do Campo. Só para a conta de luz foram R$ 180. O "bico" como ajudante de caminhoneiro rende R$ 70 e garante a mistura das refeições e fralda para as crianças, mas por pouco tempo. Há quatro meses a esposa de Nicholas conseguiu um emprego, depois de um ano à procura por uma vaga, mas o salário não dura até o fim do mês. "Me viro do jeito que posso. Não tenho vícios, não gasto com nada. Tudo o que ganho vai para as contas de casa. 'Tá' difícil. Nunca fiquei tanto tempo desempregado".

No começo do mês, Nicholas ouviu dos amigos que poderia ter uma casa própria. Para isso, deveria ir para a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Bernardo do Campo, em frente à fábrica da Scania. Quando montou seu abrigo de lona, no dia 4, havia cerca de 500 barracas. Ontem, eram 7,1 mil, espalhadas no terreno de 60 mil m2.  "Vou ficar aqui até conseguir minha casa. Tenho esperança", diz.

Em 24 dias, a ocupação em São Bernardo tornou-se uma das maiores da história do país e já tem famílias na lista de espera para erguer uma barraca no chão de terra batida. No berço político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MTST arregimenta sua base, em ação alimentada por famílias como a de Nicholas, que enfrentam o desemprego ou subemprego, não conseguem pagar aluguel e estão há meses à procura de trabalho e renda. Uma das regras para manter-se na ocupação e ter direito a moradias conquistadas pelo MTST é participar dos protestos do movimento. Cada dono de barraca deve ir às manifestações ou indicar um "representante" para os atos, como o realizado na semana passada contra o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Com uma base de milhares de pessoas em ocupações concentradas no Estado de São Paulo, o MTST foi o único movimento social a permanecer em peso nas ruas desde 2013. Em Guarulhos, por exemplo, o grupo comanda uma ocupação com 5 mil famílias. Na periferia da zona sul da capital, estão outras 8 mil famílias. 

A ocupação de São Bernardo tem, em sua maioria, famílias da própria cidade e de Diadema, dois dos municípios do país que mais sofrem para sair da crise econômica. No ABCD paulista, 80 mil trabalhadores ficaram desempregados desde 2014. São Bernardo foi a mais prejudicada e perdeu 42.135  empregos entre 2014 e julho de 2017. Foi o oitavo pior desempenho do país e o pior de todos fora das capitais. Diadema ficou em 27º lugar no ranking das que mais perderam empregos.

"A vida é dura sem emprego", diz Clovis Souza Campos, com 50 anos. Encanador, está há dois anos só fazendo bicos e diz que sua família toda faz coxinha para vender e conseguir uma renda. Clovis mora na divisa de São Bernardo do Campo e Diadema e também relata nunca ter ficado tanto tempo sem emprego. 

Com três meses de aluguel e de contas de água e luz atrasados, Uanderson dos Santos Dias, 39 anos, usa os conhecimentos de pedreiro e carpinteiro para erguer barracões na ocupação. Sem emprego há seis meses, diz que nos últimos três anos "a vida só piorou". Denise Matias, de 30 anos, trabalha como operadora de loja em um mercado e ganha R$ 900, mas gasta R$ 600 com o aluguel. As contas de água e luz consomem o que resta do salário. Antes de entrar no trabalho, às 14h, Denise passa a manhã na ocupação. "Se Deus quiser vou conseguir meu cantinho".

A área ocupada, da MZM Construtora, estava sem uso há cerca de 30 anos e era um dos três terrenos mapeados pelo MTST para levar as 500 famílias que começaram a ocupação. O movimento dos sem-teto divulgou a ação em favelas de São Bernardo e em menos de duas semanas o terreno foi tomado por milhares de barracas, tornando a reintegração de posse mais difícil. Durante a semana, a maioria das barracas de lona, identificadas com o nome dos donos, fica vazia. O movimento se intensifica às 19h, quando os donos dos abrigos têm de assinar a lista de presença e participar de assembleia. Uma hora depois, o terreno se esvazia. Nos fins de semana, o local volta a ficar movimentado.

O líder do MTST Guilherme Boulos diz que as ocupações devem crescer no país, agravadas pela crise econômica, a exemplo de São Bernardo. "É a regra das periferias urbanas: a pessoa perde o emprego, não tem dinheiro para o aluguel e vai para a ocupação".  Boulos afirma que as habitações conquistadas pelo MTST são, de forma geral, em número menor do que as famílias que participam das ocupações. "Por isso adotamos critérios como a participação [nos protestos]. Não é obrigatória, mas a conquista da moradia é fruto da mobilização e da participação popular", diz. "Mas optamos por não cobrar pagamento das famílias, que é excludente e não razoável". O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), tem pouca interlocução com movimentos sociais e procura manter-se distante da ocupação, apesar de seu vice, Marcelo Lima (SD), morar em um prédio colado ao local (ver abaixo). A prefeitura diz, em nota, que "não é parte diretamente envolvida no processo" porque o terreno é particular e afirma que "não está disposta a negociar com o movimento de invasão". O governo afirma ter 1,98 mil pessoas na lista de espera de seu programa habitacional e que neste ano deve entregar 1 mil escrituras para para regularização fundiária. A MZM diz que "aguarda a decisão judicial para que a reintegração seja realizada de forma pacífica". O Tribunal de Justiça suspendeu a reintegração de posse e novo julgamento deve ser feito no dia 2. O MTST defende a negociação com a construtora para que sejam construídas habitações do Minha Casa, Minha Vida Entidades. Outra opção é que o terreno seja desapropriado e o poder público construa casas no local.

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